Papa encerra viagem falando do Holocausto e do Estado palestino

Por Douglas Hamilton JERUSALÉM (Reuters) - O papa Bento 16 fez na sexta-feira uma denúncia potente e pessoal do Holocausto, prometendo aos israelenses que o brutal extermínio dos judeus pelo regime sem Deus dos nazistas jamais será esquecido ou negado.

Reuters |

As declarações aparentemente visam atenuar as críticas de alguns judeus a comentários anteriores do papa sobre o Holocausto nesta viagem.

O papa deixou Israel nesta sexta-feira em direção a Roma, ao fim de uma peregrinação de oito dias à Terra Santa, iniciada há uma semana na Jordânia e que incluiu uma visita aos territórios palestinos.

Encerrando sua peregrinação, da qual disse levar "poderosas impressões" de esperança e tristeza, o papa também fez um forte apelo pela paz entre israelenses e palestinos, para que cada um desses povos tenha seu Estado.

"Uma das visões mais tristes para mim durante minha vista a estas terras foi o muro", disse o pontífice, referindo-se à barreira construída por Israel entre Jerusalém e Belém, cidade natal de Jesus, na Cisjordânia.

"Quando passei ao seu lado, rezei por um futuro em que as pessoas da Terra Santa possam viver juntas em paz e harmonia, sem a necessidade de tais instrumentos de segurança e separação", afirmou o papa alemão, de 82 anos, no aeroporto de Tel Aviv.

Durante a semana, alguns judeus haviam dito que o papa demonstrara frieza ao visitar o memorial Yad Vashem, alusivo ao Holocausto, em Jerusalém. Recentemente, ele já havia provocado polêmica ao readmitir na Igreja um bispo que minimiza o Holocausto.

Mas, no discurso de sexta-feira, o papa disse que o encontro com sobreviventes do nazismo no memorial foi "um dos momentos solenes" da sua visita.

"Estes encontros profundamente tocantes reavivaram lembranças da minha visita há três anos ao campo da morte de Auschwitz, onde tantos judeus -- mães, pais, maridos, esposas, irmãos, irmãs e amigos -- foram brutalmente exterminados sob um regime sem Deus", disse ele.

O nazismo, segundo ele, representou "um assustador capítulo da história (que) não deve ser esquecido ou negado".

Ele também reiterou uma mensagem constante nestes cinco dias de viagem: a necessidade de uma solução no conflito israelo-palestino, que leve a uma solução com dois Estados na região.

Em seu último ato religioso da visita, Bento 16 pregou uma mensagem de esperança para toda a humanidade na igreja do Santo Sepulcro, na Cidade Velha de Jerusalém, onde os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado, morreu e ressuscitou.

"A tumba vazia (de Cristo) nos fala de esperança, a esperança que não frustra, porque é o dom do espírito da vida", afirmou. "O amor é mais forte do que a morte."

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