Papa encerra segundo sínodo de seu pontificado

O Papa Bento XVI comandou o encerramento solene do segundo sínodo de seu pontificado neste domingo, com uma missa na basílica de São Pedro, onde recebeu 250 bispos de todo o mundo, que elaboraram 55 propostas para ajudar a Igreja católica a se adaptar aos novos tempos.

AFP |

Uma das propostas mais inovadoras do sínodo (assembléia consultiva reunida por iniciativa do Papa) fala do papel das mulheres na leitura da Bíblia e na celebração da missa.

Os bispos, reunidos desde 5 de outubro no Vaticano, defendem que "o ministério da 'leitura' seja aberto às mulheres, para que a comunidade cristã reconheça seu papel no anúncio da palavra", destaca a proposta 17 do sínodo.

Embora as mulheres já participem das leituras das cerimônias litúrgicas, "a título temporário", elas ainda não são consideradas como se tivessem recebido uma missão explícita da Igreja.

Agora, trata-se de estimular "o serviço dos laicos na transmissão da fé", acrescenta o sínodo, demonstrando, assim, uma tímida abertura em relação às mulheres.

Chama atenção também a proposta de número 53 do sínodo, que aborda "o diálogo com o Islã em respeito aos direitos do homem e da mulher".

"Nesse diálogo, o sínodo insiste na importância do respeito à vida, aos direitos do homem e da mulher (...). A reciprocidade e a liberdade de consciência e de culto serão um tema importante neste diálogo", indicaram os bispos.

Ao longo das sessões do sínodo, no entanto, os bispos acusaram o Islã de não respeitar os direitos da mulher, tal como figuram na declaração universal dos direitos humanos.

Os bispos também ressaltaram a importância do diálogo com a comunidade judaica, diálogo que "pertence à natureza mesma da Igreja".

"O diálogo entre cristãos e judeus pertence à natureza da Igreja" e uma das propostas sinodais ao Papa Bento XVI é "promover os encontros e o diálogo entre judeus e cristãos".

Pela primeira vez, um rabino israelense - o grão rabino Haifa Shear Yshuv Cohen - foi convidado a intervir no sínodo.

O Papa aproveitou a homilia de encerramento do sínodo para anunciar que viajará pela primeira vez à África, em março de 2009. O Sumo Pontífice pretende se reunir com os participantes da conferência episcopal da África em Camarões, além de participar, em Angola, das cerimônias de celebração do 500º aniversário da evangelização desse país.

Bento XVI lamentou, contudo, que os bispos da igreja clandestina da China não tenham podido participar do encontro. "Desejo tornar-me um intérprete (...) de seu amor por Cristo, de sua comunhão com a Igreja universal e de sua fidelidade ao sucessor de Pedro", frisou o Papa.

China e Santa Sé não têm vínculos diplomáticos desde 1951.

jflm/ap/tt

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