Papa e Maliki defendem diálogo inter-religioso no Iraque

Cidade do Vaticano, 25 jul (EFE).- O papa Bento XVI e o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, condenaram hoje com firmeza a violência no Iraque e defenderam o diálogo inter-religioso para que se chegue à paz, na primeira reunião entre os dois.

EFE |

Bento XVI, que em numerosas ocasiões clamou pela pacificação do Iraque, tinha cancelado todas suas atividades esta semana para poder descansar da recente viagem à Austrália, mas abriu uma exceção para Maliki, dada a importância e as repercussões internacionais do conflito iraquiano.

No encontro, examinaram "alguns aspectos fundamentais da situação iraquiana e se levou em consideração também seu contexto regional", segundo informou em nota assessoria de imprensa do Vaticano.

O comunicado acrescenta que na reunião ambos expressaram seu desejo de que o Iraque possa "encontrar o caminho da paz e do desenvolvimento através do diálogo e da colaboração de todos os grupos étnicos e religiosos, incluindo as minorias étnicas" que convivem neste país.

Além disso, o texto diz que foi feita uma chamada para que estes grupos, "com respeito a suas próprias identidades, e com o espírito de reconciliação e de busca do bem, atuem juntos na reconstrução moral e civil do país.

O comunicado também destaca "a importância do diálogo inter-religioso como via para a compreensão religiosa e a convivência civil".

A reunião serviu para que Bento XVI e Maliki renovassem sua condenação "à violência que quase todos os dias atinge as diferentes partes do país".

O papa expressou a Maliki sua preocupação com cristãos do Iraque, que são cerca de 600 mil, e que, segundo o Vaticano, "sentem a necessidade de uma maior segurança".

Segundo explicou à imprensa italiana o embaixador iraquiano perante a Santa Sé, Albert Eduard Ismail Yelda, o primeiro-ministro do Iraque assegurou ao papa que colocará todo seu empenho para ajudar a proteger as comunidades cristãs.

No encontro foi dada atenção particular aos refugiados iraquianos, "que precisam de assistência, sobretudo na espera de sua volta ao país".

O embaixador acrescentou que o Governo iraquiano está trabalhando para "facilitar a volta dos cristãos que fugiram do país devido à violência e às perseguições, para evitar novos êxodos, e para que lhes sejam restituídas suas propriedades".

O primeiro-ministro também convidou Bento XVI a visitar o país, embora o embaixador tenha reconhecido que uma possível visita do pontífice não acontecerá até que "sejam melhoradas as condições de segurança".

Maliki, que chegou ontem a Roma para uma visita oficial à Itália, foi recebido por Bento XVI na residência de Castelgandolfo (a cerca de 30 quilômetros de Roma), onde nestes dias passa suas férias.

O líder iraquiano chegou acompanhado por uma comitiva formada por sete pessoas e, antes do encontro com Bento XVI, também teve uma reunião de aproximadamente 45 minutos com o secretário de Estado, cardeal Tarciso Bertone, e com o secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, Dominique Mamberti.

Na tradicional troca de presentes, o político xiita deu ao papa uma palmeira de prata, considerada um símbolo da paz, enquanto Bento XVI correspondeu com uma caneta comemorativa dos 500 anos da construção da Basílica de São Pedro.

Maliki aproveitou ontem sua estadia em Roma para visitar, fora da agenda oficial, o túmulo de João Paulo II e os Museus vaticanos. EFE ccg/ab/rr

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