Papa e Bush denunciam manipulação da religião para justificar terrorismo

Cristina Cabrejas Washington, 16 abr (EFE).- O papa Bento XVI e o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, denunciaram hoje durante seu encontro na Casa Branca a "manipulação" da religião para justificar o terrorismo.

Bento XVI foi recebido hoje por Bush nos jardins da Casa Branca com uma cerimônia na qual compareceram quase 13 mil pessoas, segundo as autoridades americanas. Em seguida, ambos se reuniram a portas fechadas no Salão Oval.

Segundo um comunicado conjunto, tanto o presidente americano quanto o Papa manifestaram durante a reunião "sua total rejeição ao terrorismo e à manipulação da religião para justificar atos imorais e violentos contra inocentes".

Bento XVI e Bush também lembraram a "necessidade de o terrorismo ser combatido com meios apropriados que respeitem o ser humano e seus direitos".

O presidente americano já havia tecido comentários sobre o tema durante seu discurso de boas-vindas ao papa, quando afirmou que "em um mundo onde o nome de Deus é invocado para justificar atos de terrorismo, de morte e de ódio", se faz necessária a mensagem lançada pelo pontífice em "Deus é amor", título de sua primeira encíclica.

"Acolher este amor é a maneira mais segura de salvar os homens de serem presas das doutrinas do fanatismo e do terrorismo", afirmou Bush.

O chefe de Estado dos EUA prosseguiu ao dizer que, "em um mundo onde alguns já não acham que seja possível distinguir entre o bem e o mal", é necessária a mensagem do papa de "rejeição a esta ditadura do relativismo, para abraçar uma cultura da justiça e da verdade".

Joseph Ratzinger, por sua vez, fez um discurso no qual elogiou os EUA por terem conseguido criar um Estado com forte presença dos valores religiosos e onde também se defende a liberdade de culto.

Bush concordou com o pontífice ao declarar que "a fé e a razão coexistem" nos EUA, ao mesmo tempo em que destacou os esforços do país por erradicar doenças, aliviar a pobreza e promover a paz em "lugares imersos na escuridão da tirania e da desesperança".

Bento XVI também louvou a "generosidade" demonstrada pelos EUA no momento de ajudar a família.

Segundo o papa, o país sempre se mostrou "generoso ao sair ao encontro das necessidades humanas imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio às vítimas das catástrofes naturais".

Além disso, o pontífice comunicou sua "esperança de que esta preocupação com a grande família humana continue se manifestando com o paciente apoio da diplomacia internacional, orientado a solucionar conflitos e a promover o progresso".

"Desta forma, as gerações futuras poderão viver em um mundo no qual floresça a verdade, a liberdade, a justiça. Um mundo onde a dignidade e os direitos dados por Deus a cada homem, mulher e criança, sejam levados em consideração, protegidos e promovidos eficazmente", acrescentou Ratzinger.

A Guerra do Iraque foi outro assunto discutido entre Bento XVI e Bush. Ambos expressaram sua "comum preocupação" com a violência no país árabe e, em particular, "com a precariedade na qual vivem os cristãos".

Em 2003, o Vaticano se opôs à invasão do Iraque, mas sua atual posição está orientada para a necessidade de uma presença militar no país, com o objetivo de dar estabilidade e proteger as minorias cristãs locais.

Após a reunião com Bush, o papa celebrou seu aniversário de 81 anos com um almoço privado na Nunciatura Apostólica americana, do qual participaram cardeais do país.

Hoje à tarde, o Papa deve realizar uma celebração com os bispos americanos, no que será a primeira ocasião em que abordará com eles o escândalo de pedofilia entre sacerdotes dos EUA. EFE ccg/bba/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG