Cidade do Vaticano, 5 out (EFE).- O papa Bento XVI afirmou hoje que nações antes ricas em fé e em vocações agora perdem sua própria identidade sob a influência nociva e destrutiva de certa cultura moderna.

O papa fez essa observação durante a homilia da missa que celebrou na Basílica de São Paulo Extramuros, com a qual abriu a 12ª Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que nesta segunda-feira começa seus trabalhos.

A missa foi concelebrada por 52 cardeais, 45 arcebispos, 130 bispos, 85 presbíteros e 14 membros da Igreja Ortodoxa.

Em tom de crítica, Bento XVI disse que na cultura moderna há quem tenha "decidido que 'Deus morreu' e quem se declare 'Deus'".

Depois, o papa perguntou se "quando se elimina Deus do próprio horizonte é possível ser feliz", respondendo em seguida que, "no fim, o homem acaba mais sozinho e a sociedade fica mais dividida e confusa".

O Pontífice também fez uma ligação entre seu discurso e o lema central do Sínodo: a "palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

"A mensagem de consolo que recolhemos dos textos bíblicos é a certeza de que o mal e a morte não têm a última palavra, mas que, no fim, Cristo vence. Sempre! A Igreja não se cansa de proclamar esta boa nova", disse.

"Renovaremos de forma significativa este anúncio durante toda a 12ª Assembléia do Sínodo dos Bispos", acrescentou.

Mais adiante, Bento XVI pediu "ajuda ao Senhor, durante as próximas semanas de trabalhos sinodais, para tornar sempre mais eficaz o anúncio do Evangelho neste tempo".

Após a missa, Joseph Ratzinger aproveitou a tradicional reza do Ângelus dominical para lembrar aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro que a finalidade do Sínodo é "favorecer uma estreita união e colaboração entre o papa e os bispos de todo o mundo".

Segundo o Instrumentum Laboris - documento apresentado em junho e sobre o qual o Sínodo trabalha -, os bispos católicos estão preocupados com o desconhecimento da Bíblia por parte dos fiéis e alertam para o perigo de várias interpretações "fundamentalistas" ou equivocadas do Antigo e do Novo Testamento.

Por isso, um dos principais objetivos dos bispos será decidir como se pode corrigir esse desconhecimento entre os fiéis e, assim, superar "a indiferença, a ignorância e a confusão sobre as verdades da fé acerca da Palavra de Deus".

Do Sínodo, participarão 253 religiosos, dos quais 90 são da Europa, 62 da América, 51 da África e nove da Oceania.

No entanto, não estarão presentes os bispos da China, pois a Santa Sé e as autoridades de Pequim não chegaram a um acordo para que eles pudessem sair do país. EFE alg/fh/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.