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Papa diz que muro erguido por Israel é símbolo de impasse

Por Philip Pullella BELÉM (Reuters) - O papa Bento 16 ficou ao lado do muro erguido por Israel em volta da Cisjordânia, nesta quarta-feira, e o descreveu como símbolo do impasse entre Israel e os palestinos, exortando ambos os lados a romper a espiral de violência.

Reuters |

"Ao nosso lado ... há um lembrete cruel do impasse que parecem ter alcançado as relações entre israelenses e palestinos -- o muro", disse o papa em discurso proferido num campo de refugiados em Belém, a cidade onde, segundo a crença cristã, Jesus teria nascido.

"Quão profundamente oramos pelo fim das hostilidades que levaram este muro a ser construído", acrescentou, em um palco erguido ao ar livre numa escola no campo. Do outro lado da estrada erguia-se o muro de concreto de 8 metros de altura e uma torre de vigilância israelense.

Esse era o tipo de linguagem que os palestinos esperavam da visita de um dia feita pelo papa à Cisjordânia ocupada por Israel, em meio a sua visita de cinco dias à Terra Santa, focada principalmente em Jerusalém, controlada por Israel.

O papa alemão, que vem sendo criticado em Israel pelo que judeus interpretaram como sendo falta de emoção pessoal em declarações que ele fez sobre o Holocausto, teve o cuidado de enfatizar que o conflito envolve os dois lados e conclamou por uma paz justa e duradoura.

"Dos dois lados do muro é preciso grande coragem para que o medo e a desconfiança possam ser superados e para que seja possível resistir ao desejo de retaliar por perdas e feridas", disse.

"É preciso que haja uma disposição de lançar iniciativas ousadas e imaginativas em direção à reconciliação. Se cada lado insistir em exigir concessões anteriores do outro, o resultado só pode ser um impasse."

O papa ainda acrescentou: "Esforços diplomáticos só poderão ter êxito se os próprios palestinos e israelenses se dispuserem a libertar-se do ciclo de agressão."

Antes em seu discurso, o papa falou longamente sobre a situação difícil vivida pelos refugiados no campo de Aida, que, como milhões de outros palestinos, são os familiares daqueles que fugiram ou foram expulsos de suas casas no atual Israel em 1948.

Bento 16 disse que queria "expressar minha solidariedade para com todos os palestinos sem casa que anseiam por poder retornar a seus lugares de origem ou a viver permanentemente numa pátria própria."

Essa declaração atraiu aplausos do público que, antes disso, ouvira um discurso do presidente palestino Mahmoud Abbas.

Aos refugiados, o papa declarou: "É compreensível que vocês se sintam frustrados. Suas aspirações legítimas por lares permanentes, por um Estado palestino independente permanecem sem ser realizadas."

"Em lugar disso, vocês se vêem presos ... numa espiral de violência, de ataque e contra-ataque, de retaliação e destruição contínua. O mundo inteiro anseia para que esta espiral seja rompida, por paz que ponha fim aos combates constantes."

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