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Papa diz que muro de Belém pode ser derrubado

Por Philip Pullella e Mustafa Abu Ganeyeh BELÉM, Cisjordânia (Reuters) - O papa Bento 16 disse nesta quarta-feira que o muro israelense que separa Belém de Jerusalém pode ser derrubado, desde que Israel e os palestinos derrubem os muros em torno dos seus corações.

Reuters |

Em visita de um dia à cidade natal de Cristo, na Cisjordânia ocupada, o papa afirmou ter visto "fazer sombra sobre grande parte de Belém o muro que se intromete nos seus territórios, separando vizinhos e dividindo famílias."

"Embora muros possam ser construídos facilmente, todos sabemos que eles não duram para sempre. Eles podem ser derrubados", disse o pontífice.

"Primeiro, porém, é necessário remover os muros que construímos em torno dos nossos corações. Meu desejo mais sincero a vocês, o povo palestino, é que isso aconteça em breve", acrescentou.

Em discurso numa escola para refugiados à sombra do muro, ele disse que a obra é um símbolo imponente do impasse na luta pela paz, e "um lembrete cruel do impasse que parecem ter alcançado as relações entre israelenses e palestinos".

"Quão profundamente oramos pelo fim das hostilidades que levaram este muro a ser construído", disse Bento.

O muro não existia quando seu antecessor, João Paulo 2o, veio a Belém, em 2000. Israel começou a erguer muros e cercas em torno da Cisjordânia em 2002, no que disse à época ser uma medida temporária para impedir a entrada de homens-bomba.

Os palestinos, com apoio da Corte Mundial, dizem que o muro é ilegal, por roubar parte de seu território e dividir suas terras.

Para ir de Jerusalém a Belém, um trajeto de poucos quilômetros, o comboio do papa precisou atravessar portões de aço no meio da sequência de muros de concretos e torres de vigilância.

"ASPIRAÇÕES LEGÍTIMAS"

A limusine preta do papa foi recebida com vivas nas antigas e íngremes ruas de Belém.

No discurso na escola, o muro criava um cenário dramático, no qual uma pichação dizia que "os oprimidos viraram opressores". "Pontes, não muros!", pedia outra pintura.

"É compreensível que vocês se sintam frustrados. Suas aspirações legítimas por lares permanentes, por um Estado palestino independente, permanecem sem ser realizadas", disse Bento 16.

Esse era o tipo de linguagem que os palestinos esperavam da visita de um dia feita pelo papa à Cisjordânia, em meio a sua visita de cinco dias à Terra Santa, focada principalmente em Jerusalém, controlada por Israel.

O papa alemão, que vem sendo criticado em Israel pelo que judeus interpretaram como sendo falta de emoção pessoal em declarações que ele fez sobre o Holocausto, teve o cuidado de enfatizar que o conflito envolve os dois lados e conclamou por uma paz justa e duradoura.

"Dos dois lados do muro é preciso grande coragem para que o medo e a desconfiança possam ser superados e para que seja possível resistir ao desejo de retaliar por perdas e feridas", disse.

"É preciso que haja uma disposição de lançar iniciativas ousadas e imaginativas em direção à reconciliação. Se cada lado insistir em exigir concessões anteriores do outro, o resultado só pode ser um impasse."

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