Papa diz que conflitos étnicos, corrupção e aborto lastreiam África

Juan Lara. Luanda, 22 mar (EFE).- O papa Bento XVI celebrou hoje uma missa para mais de um milhão de pessoas em Luanda, na qual disse que as guerras, a rivalidade étnica, a corrupção, a avidez e o aborto impedem o avanço da África, continente ao qual pediu que se ergua e se liberte de todos os males, com vistas a um futuro de reconciliação, justiça e paz.

EFE |

"Levantem, coloquem-se no caminho. Olhem para o futuro com esperança, construam algo duradouro, e deixarão para as futuras gerações uma herança de reconciliação, justiça e paz", disse o papa em meio aos aplausos de milhares de fiéis vindos de outras províncias e de países vizinhos.

Após expressar sua satisfação por estar numa "bela e sofrida terra", Bento XVI se referiu às guerras que ensanguentam o continente africano e disse que estas disputas destruíram famílias, favoreceram o ódio e a vingança e só criaram destruição e injustiças.

O conflito na região dos Grandes Lagos foi um dos citados pelo Pontífice durante a cerimônia, na qual pediu "que Cristo cure aqueles que sofrem, conforte os que choram e dê força a todos os que levam adiante o difícil processo de diálogo, de negociação e do fim da violência".

"Que grande é a escuridão em tantas partes do mundo e também na África. Pensemos no flagelo da guerra (que em Angola durou 27 anos), nos frutos ferozes do tribalismo, nas rivalidades étnicas, na avidez que corrompe o coração do homem, escraviza os pobres e priva as gerações futuras dos recursos de que precisam para criar uma sociedade mais solidária e justa", declarou.

Bento XVI, que em alguns momentos demonstrou certo cansaço devido ao forte calor, apontou como outros problemas da África "o insidioso espírito de egoísmo que encerra os indivíduos em si mesmos e divide as famílias".

O Pontífice acrescentou que esse egoísmo suplanta os grandes ideais de generosidade e abnegação e "inevitavelmente leva ao hedonismo, à droga, à irresponsabilidade sexual, à fraqueza do vínculo matrimonial, à destruição da família e à eliminação de vidas humanas mediante o aborto".

O papa encorajou os africanos a demonstrarem seu amor pelo próximo, "sem levar em conta a raça, a língua ou a etnia", e disse que a Palavra de Deus é "esperança" e que os mandamentos não são um fardo, mas uma fonte de liberdade.

"A África é um continente de esperança, mas que tem sede de justiça, de paz, de um são e integral desenvolvimento que pode assegurar a seu povo um futuro de progresso e paz", afirmou.

Bento XVI também fez um apelo aos jovens, aos quais disse que são o futuro do país, "a promessa de um amanhã melhor".

Apesar das mensagens de incentivo, a missa começou com declarações de pesar do Bispo de Roma pelos dois jovens que, ontem, morreram esmagados quando tentavam entrar num estádio de Luanda para o encontro do líder religioso com a juventude angolana.

O papa expressou sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e seu "mais vivo pesar" pelo tumulto enfrentado pelos que foram assisti-lo.

O resto da missa, acompanhada por 71 bispos da conferência regional de prelados do sul da África e por outros de nações vizinhas, transcorreu sob um forte calor.

Mais de 200 médicos prestaram atendimentos durante do ato religioso, que teve a cobertura de 900 jornalistas, dos quais metade eram estrangeiros.

Bento XVI termina o penúltimo dia de sua visita à Angola com um encontro com os movimentos católicos para a promoção das mulher, que ele sempre considerou o eixo das sociedades africanas. EFE jl/sc

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