Papa defende o meio ambiente e critica o consumismo em Sydney

O Papa Bento XVI foi recebido nesta quinta-feira por 150.000 pessoas no porto de Sydney, no primeiro grande ato de sua visita à Austrália, que iniciou com uma firme defesa do meio ambiente e uma crítica forte ao consumismo, mas sem tocar no delicado tema dos padres pedófilos.

AFP |

Depois de percorrer a baía de Sydney a bordo do barco papal "Sydney 2000", o Sumo Pontífice se uniu aos peregrinos que participam desde terça-feira das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que serão encerradas no domingo com uma missa oficializada por Bento XVI.

Ante a maré de jovens, que agitavam as bandeiras dos 169 países presentes neste evento criado em 1986 por João Paulo II, o pontífice criticou os desperdícios dos recursos naturais e o consumismo desenfreado da sociedade atual.

Em uma das mensagens mais contundentes em defesa do meio ambiente desde que se tornou Papa em 2005, Bento XVI afirmou: "Há cicatrizes na superfície de nossa Terra, erosão, desmatamento, desperdício dos recursos minerais e dos oceanos para satisfazer um consumo insaciável".

"Não se deixem enganar por aqueles que os vêem apenas como consumidores em um mercado de possibilidades indiferenciadas, onde a escolha se torna ela mesma o bem, a novidade usurpa a beleza e a experiência subjetiva substitui a verdade", advertiu.

O Papa também lançou uma advertência contra os "falsos ídolos" e falou da "dor das falsas promessas", em um mundo que "está cansado da ambição, da exploração e da divisão".

Bento XVI deu aos jovens a resposta contra os males da sociedade: "Cristo, que sempre oferece mais".

Ao final, o Papa leu um texto para os peregrinos em vários idiomas, entre eles espanhol e português.

Durante sua travessia, o Papa foi saudado pelo meio milhão de pessoas que se enfileiraram ao longo da baía, segundo os organizadores da recepção, neste país onde somente 27% da população são católicos.

Dos 215.000 peregrinos em Sydney, 125.000 são estrangeiros, dos quais 12.000 latino-americanos.

O Papa leu sua primeira mensagem na Austrália na Casa de Governo em Sydney, onde foi recebido com honras pelo primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, e pelo governador-geral Michael Jeffery -representante da rainha Elizabeth da Grã-Bretanha.

"Graças à valente decisão do governo da Austrália de reconhecer as injustiças cometidas no passado contra os indígenas, estão dando agora passos concretos para alcançar a reconciliação baseada no respeito mútuo", indicou o Papa, que permanecerá na Austrália até segunda-feira.

"De forma correta, o governo está tentando fechar a brecha entre australianos indígenas e não indígenas com relação à expectativa de vida, educação e oportunidades econômicas", continuou o Papa, que se uniu nesta quinta-feira às Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Sydney.

Mas o Pontífice não tocou no polêmico tema dos padres pedófilos. Familiares das vítimas esperam desculpas da Igreja, assim como Bento XVI fez nos Estados Unidos por casos de abusos sexuais similares.

Nesta quinta-feira, os pais de duas meninas inglesas vítimas de abusos chegaram à Austrália para falar com o Papa a respeito. Uma das meninas se suicidou logo depois de ter sido violentada.

Um grupo de apoio às vítimas de abusos sexuais, o Broken Rites, afirmou que 107 padres católicos foram sentenciados em cortes australianas por acusações de abuso sexual.

Nesta quinta-feira, o Papa também visitou a capela da beata Mary Mackillop, que os australianos querem que seja convertida na primeira santa do país.

O Papa ainda deve participar de um encontro ecumênico, uma reunião com representantes de várias religiões, deve visitar jovens enfermos e uma vigília sábado antes da missa de domingo no hipódromo de Sydney.

As ruas da maior cidade da Austrália estão lotadas pelos jovens peregrinos, que desde terça-feira vêm participando de diversas atividades relacionadas à fé e à catequese, mas também estão se divertindo com inúmeros shows e espetáculos de dança tradicional do Pacífico.

du/it/lm

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