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Papa defende Estado palestino e denuncia extermínio nazista

O Papa Bento XVI defendeu novamente a criação de um Estado palestino e denunciou o brutal extermínio dos judeus pelos nazistas, deixando a Terra Santa ao final de uma peregrinação de oito dias.

AFP |

"Que a solução de dois Estados seja uma realidade, que não seja um sonho", declarou o Papa, no discurso de encerramento de sua viagem, durante a qual esteve na Jordânia, Israel e nos territórios ocupados da Cisjordânia.

O primeiro-ministro israelense de direita, Benjamin Netanyahu, negou-se a aceitar um acerto do conflito no Oriente Médio com base na criação de um Estado independente nos territórios palestinos ocupados.

"Permitam-me lançar um apelo a todos os povos destas terras: chega de banho de sangue. Não aos combates, não ao terrorismo, não à guerra!", disse o Papa.

"Que se reconheça universalmente o direito da existência do Estado de Israel, para que viva em paz e seguro dentro das fronteiras internacionalmente aceitas", acrescentou.

"Igualmente, reconhecemos que o povo palestino tem direito a uma pátria soberana e independente para que tenha uma vida digna", implorou.

Além disso, o papa Bento XVI denunciou o "extermínio brutal" dos judeus pelos nazistas, pouco antes de deixar Israel, onde seu discurso anterior sobre a Shoah havia sido considerado muito tímido.

O Papa mencionou sua visita segunda-feira ao memorial Yad Vashem da Shoah em Jérusalem, "um dos momentos mais solenes" de sua viagem, que o lembrou de sua ida ao campo de extermínio de Auschwitz, há três anos.

"Foi lá que tantos judeus... foram exterminados brutalmente por um regime sem Deus que propagou uma ideologia de antissemitismo e de ódio. Este capítulo horrível da história nunca deve ser esquecido ou negado", disse, na cerimônia de despedida no aeroporto Ben Gourion, perto de Tel-Aviv.

Após sua visita a Yad Vashem, o Papa foi criticado em Israel por não ter se desculpado enquanto alemão e católico pelo extermínio dos judeus, por não ter evocado os "seis milhões" de judeus vítimas do nazismo, por não ter usado a palavra "nazismo" e por ter mostrado pouca compaixão e emoção.

Neste contexto, o presidente israelense, Shimon Peres, pediu nesta sexta-feira a ajuda de Bento XVI para desvincular o terrorismo de seu caráter religioso.

"Os líderes políticos e espirituais enfrentam um desafio enorme: separar a religião do terrorismo. É preciso impedir que os terroristas tomem a consciência religiosa como refém, disfarçando um ato terrorista com os falsos hábitos da missão religiosa", afirmou Peres.

"Sua visão deformada de Deus é a que permite e, inclusive, alenta o assassinato, o terror, a violência", acrescentou, pedindo ao Papa que ajude "as pessoas a reconhecerem que Deus não está no coração dos terroristas".

Peres agradeceu a ele por suas palavras sobre o genocídio nazista durante a visita a Israel: "Sua afirmação de que o Holocausto, a Shoah, não deve ser esquecido ou negado, que o antissemitismo e a discriminação, em todos os lugares, e sob todas as suas formas, devem ser combatidos intensamente, chegou aos nossos corações e nos comoveu", reconheceu o chefe de Estado israelense.

Bento XVI partiu nesta sexta-feira às 11h45 GMT (08h45 de Brasília) de volta para Roma do aeroporto de Tel Aviv em um avião da companhia israelense El Al e devia chegar à capital italiana após três horas e meia de voo, pondo fim a uma viagem que o levou a Jordânia, Israel e Cisjordânia.

Antes de chegar ao aeroporto, o Papa visitou a cidade velha de Jerusalém, onde se recolheu no Santo Sepulcro, considerado pela tradição como o lugar da crucificação e da ressurreição de Cristo.

Neste lugar sagrado do cristianismo, ele afirmou que o Cristo oferecia a esperança para a paz no Oriente Médio e que é possível ir além da recriminação e da "hostilidade".

"Como cristãos, sabemos que a paz à qual aspira esta terra tem um nome: Jesus Cristo", declarou.

"Aqui Cristo morreu e ressuscitou, para não morrer nunca mais. Aqui a história da Humanidade mudou definitivamente", disse o Papa.

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