Papa defende em Jerusalén a reconciliação das religiões monoteístas

O Papa Bento XVI clamou nesta terça-feira a superação dos rancores do passado ao visitar locais sagrados judaicos, muçulmanos e cristãos de Jerusalém, epicentro do conflito árabe-israelense, e reiterou o compromisso de trabalhar pela reconciliação da Igreja Católica com os judeus.

AFP |

Ao mesmo tempo, a imprensa israelense considerou fria a condenação do holocausto nazista feita pelo Papa ao desembarcar em Israel na segunda-feira, após meses de polêmicas pela reabilitação de um bispo inglês integrista que nega a existência das câmaras de gás que mataram milhões de judeus.

O Sumo Pontífice teve que encarar nesta terça-feira outra frente de tensão, com os muçulmanos, ainda receosos após suas declarações de 2006 interpretadas como uma identificação da violência com o islamismo.

Na mesquita da Cúpula da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local sagrado do islã, Bento XVI pediu a reconciliação e o diálogo interreligioso.

"Este local sagrado oferece o estímulo aos homens e mulheres de boa vontade para comprometer-se a superar as incompreensões e os conflitos do passado e iniciar o caminho do diálogo sincero", afirmou.

"Peço humildemente ao Todo Poderoso que traga a vocês paz e abençoe as populações amadas desta região. Façamos com espírito harmonioso e de cooperação", completou diante do mufti Mohamad Husein, a maior autoridade palestina de Jerusalém.

Na frente do Papa, que ficou descalço para entrar na mesquita como determina a tradição, o mufti pediu um maior compromisso de Bento XVI para "acabar com a agressão israelense contra os palestinos".

Ele criticou a situação enfrentada por palestinos, tanto cristãos como muçulmanos, impedidos de entrar nos locais sagrados para orar na Esplanada das Mesquitas ou diante do Santo Sepulcro de Jesuss.

As atividades papais acontecem em meio a um imponente dispositivo de segurança.

As ruas da Cidade Antiga, ocupada por Israel em 1967 e depois anexada ao Estado hebreu, estavam desertas.

O Papa seguiu em um automóvel blindado ao Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, onde cumpriu a tradição de depositar uma mensagem entre as pedras.

No texto, escrito em latim, Bento XVI menciona a visita a Jerusalém, "a cidade da paz" e pede "ao Deus de Abraão, de Isaac e Jacó que envie paz à Terra Santa, ao Oriente Médio".

O Papa permaneceu alguns minutos de pé e rezou diante do Muro. Mais tarde, o pontífice visitou a Grande Sinagoga de Jerusalém, onde defendeu a reconciliação com os judeus.

"A Igreja Católica está irrevogavelmente comprometida com o caminho decidido pelo Concílio Vaticano II por uma autêntica e duradoura reconciliação entre cristãos e judeus.

Diante dos grandes rabinos de Israel, Yoma Metzer e Shlomo Amar, o Papa confirmou a declaração "Nostra Aetate", divulgada ao fim do Concílio Vaticano II em 1964, que anulou a acusação de deicidas ao judeus.

Nos 45 anos transcorridos desde que o Concílio Vaticano II repudiou o conceito de culpa judaica coletiva pela morte de Cristo, as relações católico-judías se viram abaladas pela atitude da Igreja ante o Holocausto nazista.

O Papa também visitou o Coenaculum, o Cenáculo, dentro do complexo de edifícios localizados no Monte Sion, onde recordou a Última Ceia de Cristo e defendeu a presença cristã no Oriente Médio como elemento vital para a sociedade em toda a região.

À tarde, oficiará uma missa nos jardins de Getsemani, aos pés do Monte das Oliveiras, onde segundo o Novo Testamento Jesus orou tomado pela angústia e tristeza na última noite antes de ser crucificado.

O primeiro dia do Papa em Israel terminou com um incidente diplomático na noite de segunda-feira, segundo o Vaticano.

O Papa teve que abandonar uma reunião com autoridades judaicas, muçulmanas e cristãs após os protestos do xeque Tayssir al-Tamimi, líder dos tribunais islâmicos palestinos.

Al-Tamini defendeu a proclamação de Jerusalém como "capital política, nacional e espiritual da Palestina". Israel considera a Jerusalém sua "capital eterna".

kv/fp

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