Papa defende a paz e condena o antissemitismo ao chegar em Israel

O Papa Bento XVI desembarcou nesta segunda-feira em Israel, como parte de sua primeira viagem à Terra Santa, e já na chegada deu o tom da visita: defendeu a paz entre israelenses e palestinos e condenou o antissemitismo.

AFP |

O Sumo Pontífice desembarcou às 11H00 (5H00 de Brasília) no aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv, procedente da Jordânia, antes de seguir para Jerusalém, para a etapa mais complexa de sua viagem, depois da polêmica provocada pelo perdão concedido a um bispo que nega o holocausto.

A viagem também acontece depois da controversa ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, que matou 1.300 palestinos e foi severamente criticada pelo pontífice.

Bento XVI condenou o que chamou de "repugnante antissemitismo", considerado inaceitável no discurso que fez ainda no aeroporto.

"Infelizmente o antissemitismo continua levantando sua repugnante cabeça em muitas partes do mundo, isto é totalmente inaceitável", afirmou o Papa diante das autoridades israelenses, incluindo o presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"Devemos concentrar esforços para combater o antissemistismo em qualquer lugar que se encontre", completou.

O Papa defendeu ainda a paz entre israelenses e palestinos.

"A esperança de muitos homens, mulheres e crianças por um futuro mais seguro e mais estável depende do êxito de negociações de paz entre entre israelenses e palestinos", declarou.

"Junto com todos os homens de boa vontade, suplico a todos aqueles com alguma responsabilidade que explorem toda via possível para buscar uma solução justa às enormes dificuldades, para que os dois povos possam viver em paz em uma pátria própria, dentro de fronteiras seguras e internacionalmente reconhecidas".

O Pontífice pronunciou 13 vezes a palavra paz no discurso.

"Espero e rezo para que se possa, em breve, criar um clima de maior confiança, que permita às partes conquistar progressos reais no caminho para a paz e a estabilidade", disse.

"A esperança de muitos homens, mulheres e crianças por um futuro mais seguro e mais estável depende do êxito das negociações de paz entre israelenses e palestinos".

Em um gesto pouco comum, Peres recebeu o pontífice com palavras em latim, o idioma oficial da Santa Sé: "Ave Benedicte, princeps fidelium qui hodie terram sanctam visitas" (Saúdo o fiel entre os fiéis que inicia hoje uma visita à Terra Santa).

"Considero sua visita aqui, na Terra Santa, como uma missão espiritual da maior importância, uma missão de paz. Uma missão para espalhar as sementes da tolerância e erradicar as do fanatismo", completou Peres em inglês.

Depois de passar pela Jordânia, Bento XVI visita Israel por cinco dias, em uma viagem que também o levará ao território palestino da Cisjordânia.

Durante a visita, o pontífice alemão, de 82 anos, cumprirá uma agenda apertada.

À tarde, o Papa visitará o Memorial do Holocausto em Jerusalém, sem entrar no museu para evitar a polêmica pela existência de uma placa contra a figura do Papa Pio XII, acusado de ter mantido silêncio durante o genocídio nazista.

Israel adotou medidas de segurança excepcionais para a visita do pontífice.

O desejo do Papa de beatificar Pio XII, acusado por historiadores judeus de ter sido pasivo ante o Holocausto nazista dos judeus, pesa nas relações com Israel, contrário à beatificação.

Ele também aproveitará a visita a Belém para conhecer o campo de refugiados de Aida, onde falará diretamente ao povo palestino, uma decisão que incomoda as autoridades israelenses. E será o primeiro Papa a visitar a Cúpula da Rocha de Jerusalém, terceiro local sagrado para os muçulmanos.

Antes de deixar a Jordânia nesta segunda-feira, ao fim de uma visita de quatro dias, Bento XVI defendeu a tolerância religiosa entre cristãos e muçulmanos.

kv/fp

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