Papa critica barreira israelense e defende Estado palestino

Em visita à Cisjordânia nesta quarta-feira, o papa Bento 16 defendeu a criação de um Estado para os palestinos, afirmou rezar pelo fim do bloqueio à Faixa de Gaza e criticou a barreira construída por Israel no território palestino. O que nos rodeia esta tarde nos lembra da paralisação que as relações entre israelenses e palestinos parece ter chegado disse ele na cidade palestina de Belém, rodeada pela barreira.

BBC Brasil |

Israel afirma que a barreira é necessária para conter a ação de militantes, mas palestinos dizem que ela é um instrumento do governo israelense para roubar suas terras.

"Em um mundo em que mais e mais fronteiras parecem ter sido abertas para o comércio, viagens, movimentação de pessoas, trocas culturais, é trágico ver muros ainda sendo erguidos."
"Embora muros possam ser facilmente construídos, todos sabemos que eles não duram para sempre. Eles podem ser derrubados. No entanto, primeiro é necessário remover as barreiras que construímos em nossos corações."
Estado palestino
Correspondentes dizem que Bento 16 viu a barreira pela primeira vez nesta quarta-feira.

"Tenho visto, por boa parte de Belém, o muro que invade seu território, separando vizinhos e famílias", disse ele.

Falando no campo de Aida, que abriga refugiados da criação de Israel em 1948, o papa disse se solidarizar com as famílias divididas por detenções e restrições de movimentos, uma referência ao controle militar israelense no território palestino.

"É compreensível que vocês se sintam frequentemente frustrados. Suas aspirações legítimas por casas permanentes e por um Estado palestino permanecem não realizadas", disse.

Pouco antes, em uma entrevista coletiva à imprensa na casa do premiê palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah, Bento 16 defendeu um Estado palestino.

"A Santa Sé apoia o direito de seu povo a um lar palestino soberano na terra de seus antepassados, segura e em paz com seus vizinhos, dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente", disse ele.

Na quinta-feira, Bento 16 deve se encontrar com o novo premiê israelense Binyamin Netanyahu. Considerado linha-dura, Netanyahu ainda não se disse a favor da criação de um Estado palestino, ao contrário da administração anterior.

Gaza
Bento 16 não tem planos de ir à Gaza durante sua visita, mas ele dedicou uma prece ao fim do bloqueio israelense ao território.

A população na Faixa de Gaza sofre com o bloqueio imposto por Israel e o Egito em 2007 para pressionar o Hamas, partido que tomou o poder na região naquele ano após uma disputa com o partido rival Fatah.

O Hamas havia derrotado o Fatah nas urnas em 2006 e aceitou formar um governo de união com o rival após não ser reconhecido pela comunidade internacional, mas esta tentativa não funcionou.

Israel lançou também uma violenta operação militar de 22 dias entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 em Gaza, que deixou mais de mil mortos, sendo que cerca de um terço deles eram crianças.

"De um modo especial, meu coração está com os peregrinos vindos da região devastada pela guerra de Gaza. Peço para que vocês levem para suas famílias e comunidades meu abraço caloroso e minha tristeza pelas perdas, as durezas e o sofrimento que vocês têm que enfrentar", disse o papa, referindo-se aos poucos moradores de Gaza que receberam permissão de Israel para ir até a Cisjordânia.

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