Papa convoca novamente bispos irlandeses por abusos a crianças

Cidade do Vaticano, 20 jan (EFE).- O papa convocou para os dias 15 e 16 de fevereiro os representantes da Conferência Episcopal Irlandesa para analisar novamente os abusos cometidos durante anos a menores por padres católicos nesse país e enfrentar os problemas criados, confirmaram hoje fontes oficiais vaticanas.

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Não se descarta que, durante essas reuniões, Bento XVI lhes entregue a carta que prometeu aos fiéis católicos irlandeses em dezembro, na qual lhes indicará "claramente", segundo disse, as iniciativas que serão adotadas para responder à situação.

A carta pode ser lida no dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, nas igrejas irlandesas, disseram fontes religiosas irlandesas no Vaticano.

Durante o primeiro dia, de acordo com as mesmas fontes, os padres se reunirão com o papa e, no segundo dia, com a cúpula da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício).

Essa reunião é a continuação da realizada em 11 de dezembro passado no Vaticano, à qual participaram o cardeal Sean Brady, presidente da Conferência Episcopal Irlandesa, o arcebispo de Dublin, monsenhor Diarmuid Martin, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, os cardeais e arcebispos da Cúria Roma competentes no caso e o Núncio na Irlanda.

Naquele dia, o papa disse se sentir "constrangido e angustiado" após analisar o relatório sobre os abusos a menores cometidos por padres católicos na Irlanda e disse que compartilhava com os fiéis desse país a "indignação, a traição e a vergonha" por esses crimes sexuais cometidos durante anos.

Bento XVI assegurou que a Igreja continuará investigando este "caso grave" e expressou "mais uma vez" seu profundo pesar pelas ações de alguns membros do clero, que traíram suas solenes promessas a Deus, assim como a confiança que as vítimas, suas famílias e a sociedade em geral depositaram nele, detalhou o comunicado.

O Bispo de Roma qualificou como "crimes atrozes" os abusos cometidos durante 30 anos sobre 400 crianças irlandesas por 46 sacerdotes da arquidiocese de Dublin, informou o relatório elaborado pela Comissão Murphy, apresentado em 26 de novembro passado.

Em junho passado, manteve outra reunião com os mesmos cardeais para analisar naquela ocasião a situação da Igreja Católica da Irlanda após os milhares de casos de abusos sexuais cometidos por religiosos contra crianças durante quase 70 anos, divulgados no Relatório Ryan. EFE JL/sa

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