Washington, 17 abr (EFE) - O papa Bento XVI pediu hoje aos líderes das diferentes religiões para debater suas diferenças com calma e clareza e poder, desse modo, não só conseguir paz, mas também descobrir a verdade compartilhada por todos.

"Em nossa tentativa de descobrir os pontos comuns, talvez retiremos a responsabilidade de discutir nossas diferenças com calma e clareza", afirmou o pontífice em um ato com cerca de 200 representantes judeus, muçulmanos, hindus, budistas e cristãos.

O evento na sede do Centro Cultural João Paulo II da capital americana começou às 18h (19h em Brasília), conforme o previsto, após uma longa espera, já que por motivos de segurança os presentes tiveram que chegar ao centro horas antes de o encontro ter início.

Durante essas horas houve uma animada troca entre os líderes dos diferentes credos que participaram do evento, o mesmo tipo de diálogo que Bento XVI considera necessário estimular.

O chefe da Igreja Católica mencionou hoje que esse diálogo não deve parar na identificação de uma "série de valores comuns", mas ir em frente para descobrir a base na qual se assentam.

"Não temos nada a temer, já que a verdade nos revela a relação essencial entre o mundo e Deus", disse o papa, que durante seu discurso elogiou a convivência pacífica nos Estados Unidos entre pessoas de diferentes crenças.

"Hoje, em escolas de todo o país, jovens cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, budistas e crianças de todas as religiões se sentam juntos e aprendem uns com os outros", afirmou.

Bento XVI expressou seu desejo de que outras sociedades sigam o exemplo americano e se dêem conta de que "uma sociedade unida pode surgir da pluralidade", e defendeu a liberdade religiosa como um "direito civil básico".

O pontífice insistiu em que a defesa da liberdade religiosa é uma tarefa que nunca acaba e lembrou que mesmo nas sociedades tolerantes os credos minoritários sofrem injustiças, discriminação e preconceitos.

O diálogo entre as diferentes crenças beneficia tanto os indivíduos quanto a sociedade em seu conjunto, destacou.

"À medida em que nos conhecemos melhor, nos damos conta de que sentimos um apreço por valores éticos reverenciados por todas as pessoas de boa vontade", ressaltou.

O chefe da Igreja Católica mencionou as escolas religiosas como um exemplo da contribuição da religião à sociedade civil.

Segundo ele, ao ajudar a descobrir a "dignidade outorgada por obra divina a cada ser humano, os jovens aprendem a respeitar as crenças e práticas de outros e, conseqüentemente, reforçam a vida cívica de uma nação".

O papa destacou que os líderes religiosos têm uma grande responsabilidade, ao transmitir à sociedade o necessário respeito pela vida e a liberdade, assim como facilitar a paz e a justiça e ensinar às crianças a diferença entre o bem e o mal.

Vivemos momentos históricos nos quais com freqüência se evitam questões profundas como: "Qual é a origem e destino da humanidade?" ou "O que é o bem e o mal?", indicou o papa, que disse que ao longo da história o ser humano sempre encontrou a resposta a essas dúvidas na fé.

"Os líderes religiosos têm a obrigação especial de colocar essas perguntas profundas no primeiro plano da consciência humana, de voltar a despertar a humanidade perante o mistério da existência humana e conseguir que haja espaço para a reflexão e a oração em um mundo frenético", afirmou.

Ao encerrar seu discurso, Bento XVI insistiu em que os líderes religiosos podem ser instrumentos da paz, ao defender a vida e a liberdade de religião no mundo todo.

O bispo Richard Sklba apresentou ao pontífice ao fim do encontro cinco jovens representantes de diferentes religiões que trabalharam em favor da paz e do diálogo entre os diversos credos em suas respectivas comunidades e que entregaram ao pontífice vários símbolos de paz.

Em seguida, o papa cumprimentou dez líderes religiosos americanos. EFE tb/db

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