Papa condena negação do Holocausto

O papa Bento 16 disse a membros da Conferência de Organizações Judaicas Americanas nesta quinta-feira que qualquer negação da existência do Holocausto é intolerável, principalmente se vier de um membro do clero. O ódio e o desprezo por homens, mulheres e crianças que foram manifestados no Holocausto foram um crime contra a humanidade, afirmou.

BBC Brasil |

"Isso tem que estar claro para todos, especialmente para aqueles que honram a tradição das Sagradas Escrituras."
Foi a primeira vez que Bento 16 conversou diretamente com líderes judeus desde que suspendeu a excomunhão do bispo Richard Williamson, que havia negado a existência do massacre dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante o encontro, no Vaticano, o papa disse não saber que o bispo havia negado totalmente o Holocausto.

Bento 16 também confirmou que pretende visitar Israel, em uma viagem que, segundo fontes do Vaticano, estaria marcada para maio.

Desde a suspensão da excomunhão de Williamson, o papa tem sido pressionado a fazer um pronunciamento contra o anti-semitismo.

Mas Bento 16 não mencionou o caso durante sua conversa com os líderes judeus americanos.

Ele admitiu, no entanto, que o relacionamento de 2 mil anos entre o Judaísmo e a Igreja já atravessou fases dolorosas. Mas ele repetiu a oração que o papa João Paulo 2º fez quando visitou Jerusalém em 2000, pedindo perdão aos judeus em nome de todos os cristãos que os perseguiram.

"Este terrível capítulo da nossa História não poderá ser nunca esquecido", afirmou.

Williamson foi um dos quatro bispos ultraconservadores cujas excomunhões foram suspensas em uma tentativa do papa de pôr fim a uma discórdia que começou em 1988, quando eles foram ordenados sem a permissão do Vaticano.

Mas, quando foi revelado que o britânico Williamson havia dado uma entrevista a um canal de televisão sueco em novembro, na qual pôs em dúvida que 6 milhões de judeus morreram nas mãos do nazistas e disse que nenhum morreu nas câmaras de gás.

Desde então, o bispo se desculpou pela polêmica causada por suas declarações, mas foi removido do posto de diretor de um seminário católico romano na Argentina.

Entretanto, ele se recusou a retirar os comentários, apesar de uma ordem do Vaticano.

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