Papa condena divorciados que voltam a se casar

LOURDES - O Papa Bento XVI criticou neste domingo os divorciados que voltam a casar e insistiu na importância da unidade da família, pedestal da sociedade, em um discurso para os bispos franceses em Lourdes, sudoeste da França.

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O Pontífice alemão abordou a "questão particularmente dolorosa dos divorciados que voltam a casar", diante dos quais a Igreja "mantém com firmeza a "indissolubilidade do matrimônio", apesar de professar "o maior afeto àqueles que, pelos mais variados motivos, não conseguem respeitá-la".

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Bento XVI em seu discurso para os bispos franceses
"Não se podem aceitar as iniciativas que tendem a abençoar as uniões ilegítimas", disse o Papa no segundo dia da peregrinação ao santuário mariano de Lourdes, onde chegou no sábado depois de uma primeira etapa em Paris.

Joseph Ratzinger, que na sexta-feira se reuniu no Palácio do Eliseu, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, divorciado duas vezes e casado atualmente com a cantora Carla Bruni, mãe de um filho de um relacionamento anterior, defendeu a família como o "pedestal sobre o qual descansa toda a sociedade".

"O matrimônio e a família enfrentam agora verdadeiras tempestades. As leis têm relativizado em diferentes países sua natureza de célula primordial da sociedade", declarou Bento XVI, 81 anos, para 170 bispos e cardeais, a maioria franceses, além de alguns pertencentes ao Vaticano.

A Igreja Católica mantém uma postura firme contra o divórcio. No entanto, em alguns casos, aconteceram exceções. Diante do casamento em maio de de 2004 do príncipe Felipe, herdeiro da corona da Espanha, com Letizia Ortiz, divorciada de um matrimônio anterior, a Igreja católica espanhola aceitou a união religiosa sob o argumento de que o primeiro casamento da princesa havia sido apenas caráter civil.

No discurso para os bispos, Bento XVI se referiu ao laicismo da República da França, um dos temas que marcou sua visita a Paris, destacando a "originalidade" da situação francesa, que a Santa Sé "deseja respeitar".

Ele comemorou o fato de Sarkozy ter ressaltado "os valores cristãos da França", o que permite, segundo o Pontífice, "encontrar uma nova maneira de incorporar os valores fundamentais na sociedade, no marco institucional vigente e com o máximo respeito às leis em vigor", em referência à lei de 1905, que estabelece o princípio do laicismo da República.

O Sumo Pontífice, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por velar pelo cumprimento do dogma, retomou ainda a defesa da missa em latim, cuja celebração ele facilitou com um decreto de julho de 2007, considerado por alguns setores religiosos como um afago aos integristas.

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