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Papa condena trágica construção do muro de separação na Cisjordânia

O Papa Bento XVI condenou a trágica construção do muro de separação na Cisjordânia e recebeu uma mensagem de paz do presidente palestino Mahmud Abbas, durante sua visita nesta quarta-feira a um campo de refugiados de Belém, nos territórios palestinos ocupados.

AFP |

"Em um mundo em que as fronteiras se abrem cada vez mais (...) é trágico constatar que ainda são construídos muros", lamentou o Papa durante sua visita ao campo de refugiados de Aida, a dois quilômetros de Belém.

"Oramos ardentemente pelo fim das hostilidades que causaram a construção deste muro", disse o chefe da Igreja Católica.

O Papa falou de uma pequena estrutura no pátio de uma escola do campo de Aida para cerca de 450 pessoas e a menos de dois metros da extensa barreira de cimento que domina os territórios palestinos com suas guaritas e torres de controle.

Bento XVI recebeu uma mensagem do presidente palestino, Mahmud Abbas, na qual este reiterou o seu pedido pelo fim da ocupação israelense e pediu a paz.

"Diante de sua santidade, envio uma mensagem de paz a nossos vizinhos israelenses e peço que renunciem à ocupação, à colonização, às detenções e às humilhações" contra os palestinos, indicou Abbas no campo de refugiados de Aida.

"Sua segurança e sua aceitação na região só podem ser obtidas através da paz. A paz proporcionará prosperidade e coexistência a todos os povos da região", acrescentou.

"Este campo, como dezenas de outros na Palestina e em outros lugares, simboliza a Nakba (catástrofe), o êxodo e a erradicação que atingiram nosso povo em 1948", durante a criação do Estado israelense, acrescentou Abbas.

Cerca de 760.000 palestinos sofreram um êxodo forçado após a criação do Estado israelense em 1948. Hoje, com seus descendentes, representam uma população de cinco milhões de pessoas espalhadas por Jordânia, Líbano, Síria, Faixa de Gaza e Cisjordânia, segundo a ONU.

Abbas também denunciou o muro de separação na Cisjordânia, referindo-se a um "muro do apartheid que asfixia, não somente esse campo (de Aida), como também as cidades palestinas, como Belém e Jerusalém.

Apresentado por Israel como um muro "antiterrorista", a barreira de separação, de entre 8 e 9 metros, estende-se ao longo de 650 quilômetros e é chamada de "muro do apartheid" pelos palestinos.

O muro começou a ser construído em junho de 2002 e atravessa a maioria dos territórios palestinos.

A barreira de cimento tem como objetivo proteger três quartos dos 410.000 israelenses que vivem na Cisjordânia e na Jerusalém anexada, assim como mais da metade das colônias judaicas.

A Corte Internacional de Justiça, no dia 9 de julho de 2004, considerou ilegal a construção da barreira e exigiu que fosse desmantelada, como havia solicitado a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Israel não acatou essas decisões.

kv/dm

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