Papa chega aos EUA com mensagem de desculpas por abusos sexuais de padres

Macarena Vidal Washington, 15 abr (EFE).- O papa Bento XVI chega hoje a Washington para uma visita de seis dias aos Estados Unidos com uma mensagem de desculpas pelos abusos sexuais contra crianças realizados por alguns sacerdotes, atos que chamou de vergonha.

EFE |

O líder da Igreja Católica deve chegar hoje às 17h15 (horário de Brasília) na base aérea de Andrews, num subúrbio de Washington, onde será recebido por George W. Bush, em um gesto sem precedentes nos sete anos e meio de mandato deste presidente americano.

Um dos principais assuntos que terá que enfrentar é a onda de escândalos sexuais envolvendo sacerdotes, que começaram a ser revelados em 2002 e que deixaram como herança uma Igreja com problemas econômicos - por causa das indenizações milionárias que tiveram que ser pagas - e um afastamento de parte dos fiéis.

Em declarações a bordo do avião que o leva para os EUA, Bento XVI disse hoje que os escândalos de pedofilia foram "uma vergonha que não se deve repetir".

Estes casos representaram "um grande sofrimento para os EUA, para a Igreja e para mim, pessoalmente", declarou o pontífice, que declarou que não pode compreender "como isto pôde acontecer".

"Quando leio as histórias das vítimas, me parece impossível entender como pôde acontecer que um sacerdote traia sua missão de dar alento e o amor de Deus a estas crianças", declarou aos jornalistas que o acompanham no avião.

Foi após esta frase que Bento XVI qualificou como uma "vergonha" estes atos e acrescentou: "agora temos que fazer todo o possível para que isto não volte a acontecer".

O Pontífice disse que, para evitar casos como estes, a Igreja irá atuar em vários níveis: "adotando regras, se reconciliando com os católicos e oferecendo uma boa formação aos sacerdotes".

Antes de se aprofundar nestes três níveis disse que se referia à pedofilia "e não ao homossexualismo".

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, não descartou hoje que este assunto surja na conversa que Bush e Bento XVI terão amanhã no Salão Oval. Entretanto, ela deixou claro que a agenda deste encontro tem outras prioridades.

Entre elas, citou os direitos humanos, a tolerância religiosa e a necessidade de colaborar para combater a ideologia extremista. O presidente americano também tem interesse no trabalho papal na promoção do diálogo entre as diferentes confissões religiosas.

A situação no Líbano completa, segundo Perino, a agenda prevista entre os dois líderes.

Antes de sua reunião no Salão Oval, Bush e a primeira-dama Laura receberão o Papa com uma cerimônia de boas-vindas nos jardins da Casa Branca, na qual são esperadas entre nove mil e 12 mil pessoas.

Bento XVI ouvirá do presidente que os EUA e o mundo necessitam escutar sua mensagem de que Deus é amor, de que a vida humana é sagrada, de que todos devemos nos guiar pela lei moral comum e de que todos temos a responsabilidade de cuidar dos irmãos que têm necessidade, em casa e no mundo todo, declarou Perino.

A Casa Branca deve também oferecer um jantar em honra ao pontífice, que completa 81 anos amanhã, e para o qual estão convidados líderes católicos, porém Bento XVI não estará presente a este evento, pois participará de uma reunião com bispos americanos.

A escala do líder da Igreja Católica em Washington será completada por uma missa em um estádio de beisebol diante de 45 mil pessoas, por uma reunião com representantes de outras religiões e por outra com representantes do mundo universitário católico.

Em Nova York o Papa visitará a sede da ONU, realizará outra missa e manterá um encontro com jovens. Além disso, entre outros atos, irá ao Marco Zero, local dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

A visita papal está cercada de medidas de segurança, que se complicam pela necessidade de combinar a proteção do líder da Igreja Católica com as exigências de acesso do público aos atos.

Além da proteção dos serviços secretos e das unidades policiais de Washington e Nova York, o Papa viaja com sua equipe particular de segurança do Vaticano. EFE mv/fal

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