Papa chega ao Oriente Médio para encorajar cristãos e estreitar laços com islamismo e judaísmo

O Papa Bento 16 chegou nesta sexta-feira à Jordânia, dando início a um giro de uma semana pelo Oriente Médio, que tem como objetivo melhorar as relações do Vaticano com líderes islâmicos e judeus e encorajar a minoria cristã na região. Essa é a primeira viagem de Bento 16 aos locais mais sagrados para o cristianismo desde sua eleição como Pontífice, há quatro anos.

BBC Brasil |

Ele descreveu a viagem como uma "peregrinação de paz".

Nesta sexta-feira, Bento 16 encontrará o rei Abdullah da Jordânia, em Amã. A viagem prevê também visitas a Jerusalém e à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, local onde segundo a tradição cristã nasceu Jesus. O Papa fará um apelo pela paz entre israelenses e palestinos e pela criação de uma "terra palestina".

A visita do Papa ao Oriente Médio também é vista por muitos como uma tentativa de interceder em favor dos árabes cristãos. O número de cristãos árabes vem diminuindo nos últimos anos em países muçulmanos, o que preocupa o Vaticano - o Oriente Médio é considerado o berço do Cristianismo e abriga algumas das mais antigas comunidades cristãs do mundo.

Visão
Há mais de 20 anos no Líbano, o historiador e pesquisador brasileiro Roberto Khatlab explicou que há uma visão errônea no mundo islâmico de que o Cristianismo é uma religião ocidental.

"Muitos árabes muçulmanos mais fundamentalistas não vêem os seus irmãos cristãos como árabes, mas como ocidentais, fazendo com que eles sejam perseguidos em algumas regiões", disse Khatlab, que lançou recentemente no Brasil o livro Árabes Cristãos? (Editora Ave Maria, São Paulo, 2009).

O historiador afirmou que a visita do Papa tenta colocar mais pressão sobre os líderes da região para que protejam as comunidades cristãs em seus respectivos países.

"Está escrito no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, que deve haver um respeito mútuo entre Islamismo e Cristianismo. Mas, infelizmente, fundamentalistas distorceram a ideia entre as duas religiões para o ódio."
As discriminações que ocorreram entre as duas religiões em vários momentos da História estão se repetindo agora, segundo Khatlab, com os árabes cristãos.

"Sem alternativa e sem proteção de seus governos, os cristãos são obrigados a fugir para outros países ocidentais."
Declínio
Os grupos cristãos no Oriente Médio vem diminuindo na região por causa de uma combinação de fatores como baixa taxa de natalidade, emigração e, em alguns países, perseguição.

Segundo dados do Vaticano, países como Jordânia, Iraque e Irã possuem menos de 4% de suas populações compostas por cristões.

No Iraque, há registro de diversos casos de perseguições à população cristã, cuja presença no país data do século 2. A violência só aumentou, segundo as organizações, após o início da guerra no Iraque, em 2003, obrigando muitas famílias a buscar refúgio em outros países.

Segundo Khatlab, o Iraque se transformou no pior lugar da região para os cristãos.

"O país vem testemunhando perseguição a padres e bispos, inclusive o sequestro e assassinato de líderes religiosos cristãos", enfatizou ele.

Na Síria, 9% da população é cristã. No Egito, essa porcentagem é de 16%. O Líbano é o maior reduto de cristãos no Oriente Médio, em torno de 40%, e lá eles ainda possuem algum poder político.

Antes da criação do Estado de Israel, em 1948, havia uma população cristã de até 20%, mas hoje a porcentagem é de apenas 2% nos territórios palestinos e Israel.

A própria cidade de Belém, antes uma cidade majoritariamente cristã, hoje é de maioria muçulmana.

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