Papa chega a Edimburgo e inicia visita ao Reino Unido

Essa é a primeira visita de Estado de um pontífice ao país desde que Enrique 8º rompeu relações com Roma, em 1534

iG São Paulo |

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Papa Bento XVI é recebido pelo duque de Edimburgo

O papa Bento 16 chegou nesta quinta-feira a Edimburgo, na Escócia, para iniciar uma visita oficial e pastoral de quatro dias ao Reino Unido, a primeira visita de Estado de um pontífice ao país desde que Enrique 8º rompeu relações com Roma em 1534.

O Pontífice foi recebido ao pé das escadas do avião pelo Príncipe Filipe, marido da rainha Elizabeth 2ª, por membros do Real Regimento da Escócia, que formaram um corredor de honra, e pela hierarquia católica do país. A capital escocesa é a primeira etapa de uma viagem que também levará o papa a Glasgow, Londres e Birmingham.

 Em Edimburgo, Bento 16 foi recebido oficialmente por Elizabeth 2º no palácio de Holyroodhouse, a residência oficial da rainha na cidade. A rainha, que também é a governadora suprema da Igreja Anglicana, apertou a mão do papa no início da tradicional cerimônia de recepção às visitas oficiais.

O papa e a soberana britânica manterão um breve encontro privado nesta residência, e trocarão presentes. Pouco depois haverá uma recepção de boas-vindas, com participação do arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja da Inglaterra; do vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, e dos primeiros-ministros da Escócia, Gales e Irlanda do Norte, Alex Salmond, Carwyn Jones e Peter Robinson, respectivamente, além de representantes da vida civil, política e eclesiástica.

Ao término dessa recepção, o Pontífice iniciará um percurso no papamóvel pelas ruas de Edimburgo, onde poderá ser ouvido o som das tradicionais gaitas de fole escocesas, por sua visita coincidir com a festividade de São Niniano, o primeiro evangelizador da Escócia.

Pedofilia

Antes de desembarcar no Reino Unido, Bento 16 reconheceu nesta quinta-feira pela primeira vez que a Igreja em seu conjunto, os bispos e o Vaticano, não foram suficientemente "atentos, velozes e decisivos" no combate aos casos de abusos sexuais contra menores cometidos por sacerdotes.

Na viagem ao Reino Unido, mais um dos locais onde foram registrados nos últimos anos inúmeros casos de padres pedófilos, o papa voltou a se referir a esses escândalos e expressou sua "profunda tristeza".

"Tenho de dizer que sinto uma grande tristeza. Tristeza porque a autoridade da Igreja não foi suficientemente vigilante, nem suficientemente veloz, nem decidida para tomar as medidas necessárias", disse Bento 16 aos jornalistas que o acompanhavam no avião de Roma para Edimburgo.

Acrescentou que, por tudo isso, "estamos em um momento de penitência, de humildade e de renovada sinceridade". Para o pontífice, o mais importante são as vítimas, "ajudá-las para que possam superar o trauma, recuperar a vida e a confiança na mensagem de Cristo". Ressaltou a necessidade de oferecer "ajuda psicológica e espiritual" às vítimas.

Sobre os padres pedófilos, o papa disse que não se deve permitir que "essas pessoas culpadas se aproximem dos jovens". "Sabemos que essa é uma doença e que a livre vontade não funciona, e devemos proteger essas pessoas de si mesmas e é preciso encontrar o modo de ajudá-las e excluir qualquer acesso que possam ter aos jovens", afirmou.

Bento 16 acrescentou que, para que nunca mais ocorram esses abusos, "é necessária uma prevenção na educação e na seleção de candidatos ao sacerdócio. É preciso ter muito cuidado".

*EFE e AFP

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