Papa Bento XVI pede que médicos não abandonem o paciente incurável

Cidade do Vaticano, 20 out (EFE).- O papa Bento XVI disse hoje que a tecnologia pode desumanizar os doentes e que não é possível abandonar o paciente incurável, e afirmou que o respeito à dignidade humana exige o respeito incondicional de todo ser humano, saudável ou doente, em qualquer condição em que estiver.

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Bento XVI fez estas manifestações no discurso que dirigiu hoje aos participantes de um congresso da Sociedade Italiana de Cirurgia, que tem como lema "Por uma cirurgia que respeita o doente", aos quais recebeu no Vaticano.

O pontífice disse que, no passado, a medicina se contentava em aliviar o sofrimento do doente, mas que, no século passado, o desenvolvimento da ciência e da técnica cirúrgica permitiram agir com cada vez maior êxito frente ao doente e a cura que, em uma época era quase marginal, passou a ser uma coisa normal.

Segundo o papa, o "risco" que surge desta nova etapa é o de "abandonar" o paciente no momento em que se vê a impossibilidade de salvá-lo.

"Mas se a cura não é possível, é possível fazer muito pelo doente. É possível aliviar o sofrimento, acompanhá-lo em seu caminho e melhorar em tudo o possível a qualidade de vida", afirmou o papa.

O pontífice ressaltou que qualquer doente, "também o que não tem cura", é portador de uma dignidade, "uma dignidade que é preciso honrar e que é o fundamento ineludível de qualquer ação médica".

Bento XVI defendeu que a relação entre paciente e médico sirva para manter, "com o respeito da verdade dos fatos", a esperança, "elemento essencial do contexto terapêutico.

"É preciso olhar com receio qualquer tentativa de intromissão de fora nessa delicada relação médico-paciente. É inegável que se tem que respeitar a autodeterminação do paciente, sem esquecer que a exaltação individual da autonomia leva a uma leitura não irreal e empobrecida da realidade humana", acrescentou. EFE JL/an

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