Carmen Postigo. Roma, 5 Out (EFE) - A maratona de leitura Bíblia dia e noite, recital contínuo e integral do Antigo e Novo Testamentos durante seis dias e sete noites, foi iniciada hoje pelo papa Bento XVI às 14h (horário de Brasília) com a leitura do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: 'Faça-se a luz!'. E a luz foi feita", leu o pontífice em italiano.

Previamente, a Bíblia foi levada em procissão por um jovem acompanhado de um idoso, uma mulher e uma menina, que carregavam velas, até um atril no altar-mor da Basílica de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma e que remonta aos tempos do imperador romano Constantino.

No entanto, o papa não foi à basílica, e sim leu no Vaticano, através de videoconferência, o primeiro capítulo do Gênesis, que narra como Deus criou o mundo em seis dias.

"A palavra de Deus poderá assim entrar nas casas para acompanhar a vida familiar e as pessoas sós: uma semente que, se bem cuidada, não deixará de dar frutos em abundância", disse hoje o papa em sua alocução matinal aos fiéis na Praça São Pedro.

Bento XVI ressaltou que os leitores foram "escolhidos com critério ecumênico, e muitos deles se inscreveram livremente", mulheres e homens a partir dos 11 anos.

"Este evento apóia claramente o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus", acrescentou.

Bento XVI foi substituído pelo bispo Hilarion Alfeyev (do Patriarcado de Moscou), seguido por Domenico Maselli (pastor da Igreja Evangélica Valdense da Itália) e depois pelo ator e diretor italiano Roberto Begnini, que leu os capítulos 4 (a história de Caim e Abel) e 5 (os primeiros patriarcas) do Gênesis.

Também participarão hoje ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti, e diretores de meios de comunicação, como Giovanni Maria Vian, do "L'Osservatore Romano", e Ferruccio De Bortoli, do "Sole 24 Ore", além de vários cardeais.

No interlúdio musical, o tenor Andrea Bocelli cantará "Gloria", de Johann Sebastian Bach.

Apesar de o idioma mais utilizado ser o italiano, o livro também será lido nos próximos dias em árabe e em grego.

Esta é uma tentativa sem comparação promovida pela rede de televisão "RAI", com a transmissão ao vivo mais longa da história, com um total de 139 horas de leitura dos 73 livros da Bíblia católica, do Gênesis ao Apocalipse.

Os 1.250 leitores que participarão do recital provêm de 50 países, entre eles 40 padres sinodais dos cinco continentes; embaixadores; políticos, como Andreotti e o ex-presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi; e personagens do mundo do espetáculo, do esporte e do Exército, entre outros.

Durante a leitura, também se alternarão bispos católicos e ortodoxos e representantes de igrejas protestantes, comunidades neocatecumenais, da Ação Católica, entre outros.

Nem todos os participantes serão pessoas famosas, e os leitores comuns darão um toque especial ao recital.

Cegos que lerão a Bíblia em braile, um surdo que lerá com a ajuda de um intérprete, um sacerdote cigano da diocese de Caserta (sul da Itália), presos que lerão de suas celas e crianças hospitalizadas também participarão.

Curiosamente, o padre exorcista Gabriele Amorth lerá no dia 10 de outubro uma passagem do evangelho de Lucas dedicada à cura de um endemoniado.

Por se tratar de um ato ecumênico, também participarão da maratona bíblica seis muçulmanos e 16 judeus, como Piero Terracina, sobrevivente do Holocausto.

A leitura da Bíblia contará com 81 espaços musicais interpretados por 56 grupos, coros e solistas que cantarão composições inspiradas em temas bíblicos.

O encerramento está previsto para sábado, com a leitura do Apocalipse, pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarsicio Bertone. EFE cps/wr/db

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