Diante de milhares de fieis, Papa proclamou a primeira santa da Austrália, Mary Mackillop, considerada pioneira na educação

O Papa Bento 16 reconheceu formalmente seis novos santos, em missa celebrada neste domingo na praça São Pedro do Vaticano, ante mais de 50 mil peregrinos, sendo pelo menos 8 mil australianos. Entre os novos satos, está a primeira santa australiana, a rebelde Mary MacKillop, pioneira na educação.

Milhares de peregrinos levantam bandeiras antes de missa de canonização da primeira santa australiana
Reuters
Milhares de peregrinos levantam bandeiras antes de missa de canonização da primeira santa australiana

Mary MacKillop "dedicou-se desde a juventude à educação dos pobres numa Austrália rural, inspirando outras mulheres a se juntar a ela na primeira comunidade religiosa feminina fundada no país", disse o papa, em inglês, durante a homilia.

Os novos santos são considerados um exemplo para os católicos de todo o mundo por suas vidas piedosas e sua admirável entrega a Cristo, segundo o Vaticano.

Milhares de peregrinos australianos, com bandeiras, chapéus de cow-boy e echarpes turquesas, cor da ordem de Saint-Joseph du Sacré Coeur, São José do Sagrado coração, fundada por Mary, estavam presentes, diante da basílica de São Pedro, de onde se destacavam os retratos gigantes dos novos santos.

Mary MacKilopp (1842-1909), criou dezenas de escolas e chegou a se opor duramente à hierarquia católica, a ponto de ser brevemente excomungada em 1871. Recentemente, as religiosas de sua ordem afirmaram que ela denunciou abusos cometidos por um padre pedófilo.

"É maravilhoso. Soubemos sempre que Mary era uma santa", exclamou Moya Campbell, de 65 anos, das Irmãs de São José do Sagrado Coração, ordem fundada por Mary MacKillop, representada por 800 religiosas que viajaram a Roma.

Bento 16 celebra missa, neste domingo, na Praça São Pedro do Vaticano, em Roma
AFP
Bento 16 celebra missa, neste domingo, na Praça São Pedro do Vaticano, em Roma
Os outros santos

O religioso canadense de Quebec Alfed André Bessette (1845-1937), também proclamado santo neste domingo, era conhecido como o "homem que fazia milagres".

Tornaram-se igualmente "santos" celebrados pela Igreja Católica: o padre polonês Stanislas Soltys (1433-1489), a religiosa espanhola Candida Maria de Jesus Cipitria y Barriola (1845-1912), assim como duas religiosas italianas, Giulia Salzano (1846-1929) e Camilla Battista Varanno (1458-1524).

Uma considerável representação de bispos, assim como de alunos, padres e mães, ex-alunos e religiosas dos vários colégios do Sagrado Coração foram a Roma para a cerimônia.

"Madre Cándida", como era chamada Juana Josefa Cipitria y Barriola, nascida em 31 de maio de 1845 em Andoain e falecida em 1912 em Salamanca, decidiu desde jovem dedicar sua vida a Deus e trabalhar pelos demais.

Em 1871, com outras cinco mulheres, a nova santa espanhola, que trabalhou como empregada doméstica e não sabia ler ou escrever, segundo a biografia oficial divulgada pelo Vaticano, fundou em Salamanca a Congregação das Filhas de Jesus.

A congregação dedica-se principalmente à educação, sobretudo das mulheres, "sem distinção de classe social ou lugar geográfico" e agora está presente em 17 países de quatro continentes, entre eles da América Latina, com um total de 1.025 religiosas.

O pontífice alemão, que limitou o ritmo das canonizações e beatificações - que alcançaram um número recorde com João Paulo II com 482 santos e 1.338 beatos - proclamou no total 34 novos santos.

Na lista de espera permanecem dois renomados predecessores: o popular João Paulo II e o controverso Pio XII, cujos processos são examinados pelas autoridades competentes.

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