Papa aproveita viagem aos EUA para curar feridas após escândalos sexuais

Cristina Cabrejas Cidade do Vaticano, 21 abr (EFE).- Em sua viagem aos Estados Unidos, o papa Bento XVI não poupou esforços para limpar a imagem da Igreja após o escândalo de abusos sexuais por padres, mas ainda permanece a dúvida se ele conseguiu curar as feridas dos católicos americanos com seus gestos e palavras.

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O papa chega hoje à Roma após uma viagem de seis dias aos EUA, na qual visitou Washington e Nova York. Nesta oportunidade sempre houve a expectativa de que os casos de abusos contra crianças fosse abordado durante alguma das cerimônias.

No entanto, desde que entrou no avião, Bento XVI demonstrou que uma de suas prioridades neste país era limpar a imagem da Igreja Católica, acusada de ocultar durante anos casos de pedofilia.

Um escândalo que, como reconheceu durante a viagem, afastou muitos fiéis católicos das igrejas e causou profundas divisões entre o clero do país.

O pontífice não evitou perguntas dos jornalistas no vôo para Washington e declarou sentir "profunda vergonha" pelos casos de abusos sexuais cometidos por padres "que causaram tanto sofrimento na sociedade católica americana".

Ele solicitou aos membros da Igreja que iniciem um "tempo de purificação" e não duvidou em admitir que o escândalo "foi administrado de uma forma péssima".

Além dos discursos, o líder da Igreja Católica surpreendeu quando, fora da agenda oficial, se reuniu em Washington com cinco homens e mulheres que durante sua infância foram vítimas de abusos sexuais cometidos por padres, e escutou suas histórias e rezou com eles.

Com estes gestos e palavras o pontífice quis curar a ferida aberta entre os católicos, que custou cerca de US$ 2 bilhões em indenizações à Igreja Católica nos EUA.

"Com esta viagem, Bento XVI encorajou a Igreja americana, que viveu períodos difíceis após os escândalos de pedofilia", confirmou hoje o porta-voz do papa, Federico Lombardi, fazendo um balanço da visita.

Uma viagem que "o pontífice empurrou com confiança a Igreja dos EUA para o futuro, superando toda esta dor que passou e fazendo de uma experiência triste e dolorosa do pecado um ponto de partida", acrescentou Lombardi.

A resposta dos fiéis católicos nesta viagem do pontífice foi em muito calorosa.

Entretanto, a visita do papa não ficou isenta de manifestações.

Centenas de pessoas protestaram nas proximidades da Casa Branca contra a Igreja por causa dos casos de pedofilia, no dia que Bento XVI se reuniu com o presidente dos EUA, George W. Bush.

Na quinta avenida de Nova York, enquanto sua passagem era aguardada, alguns grupos mostraram cartazes contra Joseph Ratzinger e a Igreja Católica, sempre fazendo menção ao escândalo de abusos sexuais.

Para a Survivors Network of those Abused by Priests (Rede de Sobreviventes de Abusos de Sacerdotes, em tradução livre) a visita do papa ficou apenas nas "palavras", como explicaram à imprensa americana.

A entidade pediu nestes dias maior proteção e garantias jurídicas nos casos dos padres pedófilos, além de mudanças nas normas do direito canônico que permitam aumentar o tempo em que o caso será prescrito.

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada, anunciou em entrevista ao jornal "The New York Times" a possibilidade de mudanças nas leis canônicas para tratar dos casos de sacerdotes envolvidos em escândalos de caráter sexual.

No entanto, estas mudanças não acontecerão, pois o porta-voz do Vaticano disse que foi "mal entendido" pelo jornal e que as mudanças jurídicas já foram realizadas e não está sendo estudada modificação alguma do Código de Direito Canônico.

O pontífice deixou claro durante sua viagem qual é sua intenção: "Nenhum pedófilo poderá ser sacerdote" e chegou o tempo da reconciliação. EFE ccg/bf/fal

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