Papa admite que caso de negação do Holocausto foi mal conduzido

Por Philip Pullella CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16 escreveu uma carta angustiada a líderes da Igreja admitindo que o caso do bispo que negou o Holocausto foi mal conduzido e advertindo que a Igreja arrisca a se autodevorar com disputas internas.

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Na carta endereçada aos bispos do mundo, que será divulgada pelo Vaticano na quinta-feira, o papa também diz estar magoado com as críticas feitas por católicos dirigidas a ele e que o Vaticano poderia ter previsto os problemas caso utilizasse mais a Internet.

É extremamente raro na história da Igreja um papa ter de explicar suas ações aos bispos após um acontecimento e reconhecer que as coisas não foram bem.

"A carta é muito pessoal, muito angustiada, muito aflita, mas muito honesta", disse um bispo italiano que a recebeu e fez comentários sobre o texto sob a condição de permanecer anônimo.

O papa afirma que o caso deflagrou uma tempestade de "veemência" e o feriu profundamente, em especial porque boa parte das críticas veio de católicos.

No dia 24 de janeiro, Bento 16 suspendeu a excomunhão de Richard Williamson e de outros três bispos para tentar resolver um cisma de 20 anos iniciado quando eles foram expulsos da Igreja por serem ordenados sem a permissão do papa João Paulo 2o.

Williamson dissera em entrevista exibida vários dias antes acreditar que não houve câmaras de gás e que não mais do que 300 mil judeus morreram nos campos de concentração nazista, em vez dos 6 milhões aceitos pela maioria dos historiadores.

Os comentários de Williamson e a decisão do papa de suspender a excomunhão causaram um forte abalo na relação entre católicos e judeus. A decisão foi condenada por sobreviventes do Holocausto, por alguns católicos, pelo rabinato chefe de Israel, por líderes judeus mundiais e pela chanceler alemã, Angela Merkel.

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