Palin se apresenta como uma mãe comum que quer mudar Washington

César Muñoz Acebes. St Paul (EUA), 3 set (EFE).- A governadora do Alasca, Sarah Palin, aceitou hoje a candidatura republicana à Vice-Presidência dos Estados Unidos, em discurso no qual se descreveu como uma mãe com os pés no chão e com desejos de transformar Washington.

EFE |

O discurso, o mais importante de sua vida, era esperado com nervosismo pelos milhares de republicanos reunidos no estádio Xcel Energy Center, em St Paul, no estado do Minnesota, e Palin não os decepcionou.

A governadora lembrou que ninguém acreditaria que uma mulher que há apenas seis anos era prefeita de uma cidade de menos de 7.000 habitantes pudesse chegar à candidatura da Vice-Presidência dos EUA.

Antes de seu discurso, vários dos principais nomes do Partido Republicano subiram ao palco para criticar seus rivais democratas, após uma semana de revelações sobre o passado público e privado de Palin que os tinham deixado na defensiva.

O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee e outros membros notáveis do partido não pouparam críticas ao candidato democrata, Barack Obama, e o acusaram de não ter experiência para governar os Estados Unidos.

Mas hoje era a grande noite de Palin, uma desconhecida na cena política nacional que deixou o distante Alasca há apenas uma semana.

Nos últimos dias ela permaneceu calada, fechada em um quarto de um hotel em Mineápolis, a cidade vizinha a St Paul, com os melhores escritores de discursos dos republicanos, para preparar seu pronunciamento.

Enquanto isso, a imprensa americana descobriu que sua filha de 17 anos estava grávida e que ela era investigada por um suposto caso abuso de poder.

As revelações sobre Palin atingiram John McCain, o candidato à Presidência, que foi acusado de não estudar suficientemente o passado de sua companheira de chapa.

A governadora abriu seu discurso apresentando sua família, que assistia à Convenção Republicana.

Bristol, sua filha grávida, apareceu para os republicanos pela primeira vez na convenção, e a seu lado, segurando sua mão, estava seu namorado e futuro esposo, Levi Johnston, de 18 anos.

"Nossa família tem os mesmos altos e baixos de qualquer outra (...) os mesmos desafios e as mesmas alegrias", declarou a governadora, cujo filho mais novo, Trig, de apenas 4 meses, tem síndrome de Down.

Palin, que governa o Alasca há menos de dois anos, também respondeu às críticas sobre sua "falta de experiência" no comando.

"Aprendi nos últimos dias que apenas o fato de não fazer parte da elite em Washington é suficiente para que parte da imprensa considere o candidato desqualificado", afirmou.

Este argumento foi usado durante todo o dia pelos republicanos, que também saíram em sua defesa contra os "ataques sexistas".

"Como alguém se atreve a questionar se Sarah Palin tem tempo suficiente para ficar com seus filhos e ser vice-presidente? Ninguém nunca pergunta isso a um homem", disse Giuliani.

Já Palin preferiu destacar o valor de sua experiência como prefeita e governadora, e não desperdiçou a oportunidade de criticar Barack Obama.

"Suponho que ser prefeita de um lugar pequeno é um pouco como ser um ativista comunitário, exceto que se têm responsabilidades de verdade", afirmou, em uma clara referência à experiência de Obama como líder de comunidades em Chicago.

Palin disse ainda que "Obama escreveu dois livros de memórias, mas não escreveu uma só lei ou reforma importante, nem sequer no Illinois", onde começou sua carreira.

A governadora afirmou também que somente ela e McCain poderão promover as mudanças que os Estados Unidos precisam, e prometeu combater o poder estabelecido em Washington, assim como ocorreu no Alasca enquanto esteve no poder.

No final do discurso, seus familiares se juntaram a Palin no palco, e McCain, que foi nomeado hoje oficialmente candidato republicano à Presidência, uniu-se a eles em uma aparição surpresa.

"Não acreditam que fiz a escolha correta para a próxima vice-presidente? Que família linda!", disse McCain. EFE cma/mh

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