Palin permanece na política mesmo se McCain perder

Washington - A aspirante republicana à Vice-Presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, recebeu entre seus críticos o apelido de diva, mas afirmou esta semana que na realidade pretende se tornar rainha e que planeja permanecer na política nacional independentemente dos resultados das eleições.

EFE |

A poucos dias do pleito de 4 de novembro, a governadora do Alasca e o candidato presidencial de seu partido John McCain, aparecem atrás nas pesquisas.

"Não estou fazendo isto por nada", disse Palin na quarta-feira à rede de televisão "ABC", em declarações que suscitaram a especulação de que ela poderia tentar concorrer à Presidência em 2012.

A possibilidade anima seus seguidores das bases mais conservadoras do partido, como ficou claro na segunda-feira durante um comício de Palin na Virgínia, onde vários de seus partidários gritavam entusiasmados "Sarah para 2012".

Ninguém duvida que Palin, uma conservadora próxima à direita religiosa do país, emociona, por exemplo, pessoas como Charleen Sciolaro, uma ex-funcionária aposentada que assistiu na segunda-feira ao seu comício em Leesburg.

"Ela deixou as bases conservadoras do partido em vermelho vivo", disse Sciolaro à Agência Efe, que, da mesma forma que muitos presentes ao ato, disse que tem uma conexão com a governadora porque elas falam a mesma língua.

Apesar do entusiasmo em Leesburg, o certo é que Palin, uma firme opositora ao aborto, defensora do livre mercado, da prospecção petrolífera em alto-mar e do direito a ter armas, desperta paixões dentro das fileiras de seu próprio partido.

O ex-secretário de Estado republicano Colin Powell deixou claro que para ele Palin, que revelou seu limitado conhecimento do mundo e da própria política nacional em vários momentos da campanha, é uma figura polêmica entre os conservadores, ao dizer que sua nomeação foi um dos motivos que o levou a apoiar a candidatura de Barak Obama.

Apesar das críticas, Palin tem partidários não só entre as bases, mas também entre alguns pesos pesados do partido.

"É pura dinamite", disse esta semana ao jornal "The New York Times" Morton Blackwell, um ex-assessor do presidente Ronald Reagan, que acredita que a imagem de Palin não se viu danificada entre o setor mais conservador do partido.

Brent Bozell, presidente do Media Research Center, um grupo conservador, lembrou ao jornal que poucos conseguiram "eletrificar" as bases como Palin.

Para Stefen Schmidt, professor da Universidade de Iowa, o futuro de Palin dependerá de como acabar "a guerra civil" que promete desencadear entre os republicanos se, como indicam a maioria das pesquisas, eles perderem as eleições presidenciais e as legislativas na próxima terça-feira.

"Há três facções prontas para iniciar essa guerra", disse Schmidt à Efe.

Em um desses bandos estão os libertários, progressistas em temas sociais, não intervencionistas em política externa e conservadores em assuntos fiscais, entre os quais se destaca o legislador texano Ron Paul.

O segundo grupo é integrado pela direita religiosa, cujo estandarte poderia ser levantado por Palin em 2012 e que conta entre seus fiéis com o ex-governador de Arkansas Mike Huckabee.

A terceira facção, explicou Schmidt, é integrada pelo mundo empresarial republicano que é representado por figuras como o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney.

Conrad Fink, professor da Universidade da Geórgia, disse que não acha que Palin "tenha a profundidade ou a força política para continuar avançando" e acrescentou que, se McCain perder, ela carregará grande parte da culpa.

Erwin Hargrove, professor emérito da Universidade de Vanderbilt, no Tennessee, disse à Efe que Palin pode ter futuro na política, inclusive como senadora, mas descartou que sua figura seja suficientemente forte para se lançar como candidata à Presidência.

"A base conservadora não é suficientemente ampla para dar a maioria aos republicanos", afirmou Hargrove.

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