Palin muda tom de campanha ao acusar Obama de ligação com terroristas

Elvira Palomo. Washington, 5 out (EFE) - As tentativas republicanas de afirmar que o candidato democrata Barack Obama mantém relações amistosas com terroristas subiram o tom da campanha eleitoral americana, que parece já entrar em uma fase de guerra aberta. A menos de um mês para 4 de novembro, as pesquisas indicam que os democratas abrem vantagem em alguns dos estados-chave, o que poderia explicar, segundo os analistas, as últimas acusações imediatamente qualificadas de falsas pela campanha democrata e feitas contra Obama por Sarah Palin, candidata republicana à Vice-Presidência. Como pano de fundo vale destacar que Karl Rove, o arquiteto das duas últimas vitórias de George W. Bush, diz em seu site que se as eleições fossem hoje, Obama teria 273 votos no colégio eleitoral, ou seja, três a mais que o necessário para conquistar o órgão e vencer John McCain.

EFE |

No entanto, segundo Rove, esta campanha é "suscetível a mudanças rápidas", por isso "não é possível fazer prognósticos".

Os republicanos, entretanto, acham que é possível forçar as "mudanças rápidas" e parece ter sido isso que Palin tentou fazer em um comício no sábado, ao tentar relacionar Obama ao fundador de um grupo radical que cometeu atentado nos anos 1960 contra o Pentágono e o Capitólio.

"Nosso adversário considera os Estados Unidos tão imperfeito que mantém contatos com terroristas que cometeriam atentados contra seu próprio país", disse Palin no sábado.

A Governadora do Alasca baseou seu comentário em uma reportagem do "The New York Times" sobre Bill Ayers, fundador do grupo radical Weatherman.

O jornal afirma que Ayers, atualmente professor universitário, encontrou Obama em Chicago em algumas reuniões sobre a reforma educacional nos anos 1990 e "seus caminhos se cruzaram algumas vezes desde então", entre outras coisas porque vivem na mesma vizinhança.

Embora o "New York Times" também indique que a relação entre os dois "não parece ter sido estreita e Obama nunca expressou simpatia pelos pontos de vista e as ações radicais de Ayers", Palin relacionou os dois e questionou o patriotismo de Obama.

As acusações foram imediatamente qualificadas pela campanha de Obama como falsas e fruto de "política baixa".

Um porta-voz da campanha democrata, Hari Sevugan, disse em comunicado que a equipe de McCain, "em vez de oferecer soluções", levou "sua desacreditada e desonrosa campanha um passo à frente" para lançar "mais ataques pessoais contra o senador Obama".

"Em lugar de soluções, oferecem política baixa e ataques falsos", acrescenta.

Segundo o "The Washington Post", com o crescimento de Obama nas pesquisas e a situação financeira que enfrenta o país, a campanha de McCain decidiu desviar a atenção da economia e se concentrar em atacar o oponente político.

Os republicanos insistem em que "restam 30 dias até as eleições e há muitas perguntas sem resposta sobre o senador Obama", e assim disse hoje Brian Rogers, porta-voz da campanha de McCain, à rede de televisão "CNN".

Já os democratas não querem que a crise seja esquecida e, a partir de amanhã, as emissoras de televisão começarão a emitir um anúncio no qual lembram os 750 mil empregos perdidos neste ano, a situação do sistema financeiro, e afirmam que a resposta de McCain "não foi clara".

Com este panorama, uma voz em off diz que "não é de estranhar que sua campanha queira mudar o tema".

"Quer virar a página da crise financeira divulgando de maneira desonrosa, 'agressões' desonestas contra Barack Obama. Com as famílias lutando contra a situação econômica, não podem virar a página, e não podemos nos permitir outro presidente que esteja fora da realidade", diz o anúncio.

Fontes da campanha de McCain disseram ao jornal "The Politico" que é provável que a nova ofensiva se centre no caso Ayers e no empresário Anthony Rezko, um dos primeiros patrocinadores de Obama, acusado de fraude.

Tucker Bounds, porta-voz da campanha de McCain, insistiu em declarações à emissora "Fox": "Há certos vínculos que são importante que Barack Obama esclareça como candidato à Presidência". EFE elv/db

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