Palin deixa Governo do Alasca e encara difícil horizonte político

Washington - A republicana Sarah Palin, a primeira mulher governadora do Alasca e candidata à Vice-Presidência americana em 2008, deixa hoje o comando do estado antes da conclusão de seu mandato, e encara, com perda de popularidade, um frio horizonte político.

EFE |

Palin transfere hoje o cargo ao vice-governador Sean Parnell e, segundo ela mesma, sai em busca de políticos que compartilhem seus ideias para um futuro melhor no país.

A governadora deixa a mansão governamental em Juneau, capital do Alasca, com muito pouco carinho de seus correligionários republicanos no estado.

"A dúvida não era se jogaria o Alasca no buraco, mas quando o faria", disse o representante republicano Jay Ramras, da Assembleia Legislativa do Alasca, sobre a renúncia de Palin. "Violou toda decência comum, todo protocolo, e foi uma demonstração de falta de respeito".

Já Larry Persily, auxiliar do representante estadual republicano Mike Hawker, comentou que Palin "ficou inimiga da maioria dos 60 membros da Câmara de Representantes e do Senado" do Alasca.

Há menos de um ano, Palin, aos 45 anos, emergiu como a figura impetuosa que injetou vigor na cambaleante campanha presidencial do senador do Arizona, John McCain, e se perfilava como a cara do setor mais conservador do Partido Republicano.

Mas uma pesquisa da rede de televisão "ABC" e do jornal "The Washington Post" divulgada esta semana mostrou que os americanos estão agora menos entusiasmados com Palin, e duvidam de suas habilidades como dirigente, assim como de sua capacidade para compreender problemas complexos.

Um total de 53% dos entrevistados demonstrou uma reação negativa em relação a Palin, e apenas 40% deram uma opinião positiva, o nível mais baixo para a agora ex-governadora do Alasca desde que saltou ao cenário nacional dos Estados Unidos em 2008.

Os democratas nunca gostaram de Palin, de modo que não surpreende que mais de 75% dos entrevistados que se identificaram como democratas expressasse rejeição à republicana.

O curioso desta pesquisa é que 40% dos que se identificaram como republicanos creem que Palin não tem temperamento para ser uma governante e nem habilidade para lidar com problemas complicados.

Tal opinião negativa sobre as habilidades de Palin é compartilhada por 58% dos eleitores independentes, maioria nos EUA.

O fato de que Palin tenha renunciado de seu cargo 18 meses antes do final de seu primeiro mandato à frente do Alasca deteriorou ainda mais sua imagem entre republicanos e independentes.

Uma das razões mencionadas por Palin quando anunciou sua renúncia foi o gasto de US$ 500 mil com advogados que a representaram e a defenderam nas diversas disputas judiciais que infestaram sua gestão.

Em sua breve passagem pelo cenário político nacional, Palin foi satirizada por comediantes, criticada de forma feroz por grupos e militantes ambientalistas, progressistas e liberais, e viu sua vida pessoal virar assunto para comentários públicos, incluindo a gravidez de sua filha Bristol, adolescente e solteira.

Por outro lado, foi elevada à categoria de heroína pelos segmentos mais religiosos e conservadores do espectro político americano, apaixonados por sua postura como mãe, esposa, mulher empreendedora, defensora da posse de armas de fogo e adepta de um discurso franco.

Durante os debates da campanha eleitoral de 2008, Palin descreveu o então candidato democrata Barack Obama como um indivíduo associado a terroristas, e chegou a alertar os americanos sobre a implantação de um regime socialista caso Obama chegasse à Casa Branca.

A derrota do Partido Republicano nas eleições de novembro o deixou fragmentado e sem rumo. Nesse vazio, o populismo direitista de Palin deu força a aqueles que a viam como futura candidata presidencial em 2012.

Agora, demissionária em um país que não tem muito apreço por quem abandona a briga no meio do caminho, Palin pode seguir uma lucrativa carreira nos veículos de comunicação - há rumores de que tem ofertas para um programa de televisão - ou pode construir no plano político um movimento que a devolva ao cenário nacional. Por enquanto, resta ver o que o futuro reserva para ela.

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