Milhares de palestinos recordaram nesta quinta-feira na Cisjordânia o 61º aniversário da Nakba, ou a grande catástrofe que representou para eles a criação de Israel em 75% da Palestina histórica, em 1948.

"Sessenta e um anos se passaram desde a Nakba que se abateu sobre nosso povo e que constitui um drama sem precedentes na história. As imagens de êxodos, de mortes, de detenções e das tentativas de obliterar nossa identidade e nossa exigência continuam vivas", declarou o presidente palestino, Mahmud Abbas, em discurso transmitido pela TV.

"O sangue derramado por milhares de mártires e o sofrimento dos milhares de prisioneiros não serão em vão, pois a ocupação é fadada ao desaparecimento, e a liberdade é nosso destino. O Estado palestino independente nascerá, e vislumbraremos um futuro sem um único refugiado no exílio e sem um único prisioneiro nas penitenciárias da ocupação", afirmou.

Referindo-se à colonização e à construção do muro de separação na Cisjordânia, ele destacou que a política israelense atual "levará à intensificação da violência na região".

A maior manifestação desta quinta-feira aconteceu em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, onde milhares de pessoas, entre as quais muitas crianças, percorreram as ruas com bandeiras palestinas e imagens mostrando aldeias árabes arrasadas pelas forças israelenses em 1948.

"O direito ao retorno é sagrado", lembraram os manifestantes.

A passeata saiu do mausoléu que abriga o túmulo de Yassar Arafat, o líder histórico dos palestinos.

Outra manifestação, com 2.000 pessoas, teve lugar em Nablus, mais ao norte.

No campo de refugiados de Aqabet Jaber em Jericó (leste), foi inaugurado um monumento formado por uma chave metálica de seis metros de comprimento colocada em uma pedra de concreto. A obra simboliza o compromisso dos refugiados com o retorno às casas de onde foram expulsos.

Os palestinos costumam recordar a 'Nakba' no dia 15 de maio, mas várias manifestações foram antecipadas para hoje (quinta-feira).

O Exército de Israel anunciou nesta quinta-feira um bloqueio da Cisjordânia por 48 horas a partir da meia-noite, para prevenir eventuais atos de violência.

Em Gaza, a polícia do movimento radical islâmico Hamas impediu a realização nesta quinta-feira de manifestações organizadas pela Organização de Libertação da Palestina (OLP), controlada por seus rivais do Fatah.

Entretanto, o Hamas conclamou a população de Gaza a participar de uma passeata que organiza na sexta-feira para recordar a 'Nakba'.

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