Palestinos recebem eleições israelenses entre indiferença e esperança

Saud Abu Ramadan. Gaza, 11 fev (EFE).- Os moradores da Faixa de Gaza receberam hoje o resultado das eleições israelenses entre a indiferença em relação ao mais do mesmo e a esperança pela possível vitória do centrista Kadima, de Tzipi Livni, sobre o conservador Likud, de Benjamin Netanyahu.

EFE |

Embora Netanyahu tenha mais possibilidades de formar uma coalizão de Governo com a direita ultranacionalista, alguns analistas e os moradores do território palestino comemoram a pequena vantagem do Kadima sobre o Likud, depois de 99,5% dos votos apurados.

As pesquisas anteriores indicavam uma vitória de Netanyahu, que defende uma postura ainda mais dura militarmente e não tem intenção de negociar com os palestinos, como mostrou durante seu período como primeiro-ministro, entre 1996 e 1999.

"Está evidente que o êxito de Livni eliminou o medo de uma vitória do Likud e da formação de um Governo de extrema direita que inclua Avigdor Lieberman, líder radical anti-árabe do (partido) Yisrael Beiteinu", assegurou o analista político Mjeimer Abu Seda.

Há um mês, Lieberman chegou a sugerir que Israel lançasse uma bomba atômica em Gaza para acabar com o movimento islamita Hamas, que controla o território desde junho de 2007, um ano e meio após sua vitória nas eleições legislativas palestinas.

No entanto, os fatos algumas vezes dão razão aos mais pessimistas, e uma prova disso foi que Livni se reuniu hoje com Lieberman para estudar a possibilidade de formar uma coalizão de Governo.

Com 15 deputados, o Yisrael Beiteinu desponta como determinante na formação do novo Governo israelense.

Mas para muitos dos palestinos, os nomes dos diferentes partidos políticos do Estado judeu estão diretamente ligados à destruição e à humilhação para Gaza e Cisjordânia.

"Todos estes partidos têm quase os mesmos programas e agendas, que são claramente criar mais sofrimento e agonia para o povo palestino, e destruir toda a esperança de criação de um Estado independente", afirmou Nidal Shaladan, um taxista de 36 anos que vive na Cidade de Gaza.

O professor palestino Faray Talal, de 42 anos, também não está otimista em relação ao novo Governo israelense.

"Para mim, tanto faz o resultado, porque todos os israelenses são iguais. Desde a criação de Israel, todos esses partidos políticos chegaram ao poder e formaram Governos sem nenhum benefício para nosso povo, somente para gerar mais morte e destruição", disse.

"Tenho que me preocupar com nosso futuro, não com os assuntos internos de Israel, porque todos estes que lutam para chegar ao Governo só vencem se matarem mais palestinos. Nosso sangue é o cartão de apresentação de todo candidato israelense", afirmou Faray.

O professor se referia ao fato de Livni ter aumentado suas expectativas de voto por causa da ofensiva israelense em Gaza, na qual morreram 1.400 palestinos, centenas deles crianças.

"Certamente Livni não é boa!", disse Ayub Aldaba, um desempregado de 54 anos, antes de discordar de seus compatriotas por considerar que a ministra de Exteriores israelense é "melhor que Netanyahu ou (Ehud) Barak", o líder trabalhista e titular da Defesa durante o ataque a Gaza.

Ayub não vê diferenças substanciais entre o Likud e o Kadima, mas acredita que Livni é "mais moderada" que os representantes de outros partidos, "que abertamente ameaçam e prometem destruir os palestinos".

"Eu concordo em que ela teve um papel fundamental no ataque à Faixa de Gaza, mas penso que há outras partes que devem ser culpadas. Acredito que Livni está disposta a alcançar a paz com os palestinos e talvez exista um acordo caso ela assuma o novo Governo", assegurou Ayub. EFE sar-ap/mh

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