Palestinos querem que negociações de paz focalizem fronteiras

Por Yoko Nishikawa TÓQUIO (Reuters) - Os palestinos estudam a possibilidade de negociações indiretas de paz com Israel que seriam mediadas pelos Estados Unidos, disse na segunda-feira o ministro do Exterior palestino Riyad al-Malki, acrescentando que as negociações devem focar questões ligadas às fronteiras.

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Repetindo declarações feitas pelo presidente palestino Mahmoud Abbas no fim de semana, Malki disse que precisa de mais informações de Washington, além de apoio dos Estados árabes, antes de comprometer-se com a oferta feita pelos EUA com relação às negociações de paz.

Um ministro do gabinete israelense disse na semana passada que Israel e os palestinos vão iniciar "conversações de proximidade", com um mediador americano deslocando-se entre as equipes de negociação, para reiniciar as negociações paralisadas com o início da guerra na Faixa de Gaza em dezembro de 2008.

"Essas conversações de proximidade devem focar uma questão apenas, e essa questão é a das fronteiras", disse Malki em coletiva de imprensa, acrescentando que isso é porque questões relativas a água, segurança e Jerusalém seriam todas cobertas por essas discussões.

Malki, que está em visita a Tóquio juntamente com Abbas, disse que a duração das conversações de proximidade deve ser limitada para o máximo de três ou quatro meses.

Abbas já declarou que só vai retornar às negociações de paz se Israel cessar por completo as construções nos assentamentos na Cisjordânia ocupada. Ele rejeitou como insuficiente um congelamento limitado de 10 meses das construções ordenado por Israel em novembro.

Israel declarou que vai continuar a erguer casas para judeus em e em volta de Jerusalém oriental, território que capturou em uma guerra em 1967 e anexou como parte de sua capital, em iniciativa não reconhecida internacionalmente.

Os palestinos querem a cidade como capital de um futuro Estado seu.

Malki disse que precisa ouvir mais sobre o que Washington tem em mente como termos de referência para as conversações de proximidade.

"E precisamos saber: no caso de essas conversações fracassarem, qual será a posição dos americanos e o que eles farão?", acrescentou o chanceler.

Se as respostas a essas perguntas dadas pelo enviado dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, forem aceitáveis, os palestinos discutirão a ideia com líderes árabes, e, se ela ganhar a adesão, deles, a resposta palestina à oferta será positiva, disse Malki.

Mas ele acrescentou: "Não podemos dizer se antemão se estamos comprometidos sem termos garantias de que esse processo será significativo e levará a algo palpável".

Malki disse que não vê diferença, até agora, entre as conversações de proximidade propostas e a diplomacia feita por Mitchell, que já fez mais de uma dúzia de viagens à região para tentar reativar as negociações de paz paralisadas há muito tempo.

Ele acrescentou que a proposta das conversações de proximidade é a maneira de Washington de tentar evitar constrangimentos, tentando demonstrar que não desistiu das negociações de paz.

O presidente norte-americano Barack Obama decepcionou Abbas no ano passado quando abrandou sua exigência de congelamento das construções nos assentamentos, pedindo em vez disso que Israel fosse moderado ao construir nas terras que capturou na guerra de 1967 no Oriente Médio.

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