Palestinos querem paz, mas não rejeitam Hamas, diz pesquisa

JERUSALÉM (Reuters) - A maioria dos palestinos deseja a criação de um Estado próprio por meio de um acordo de paz com Israel, mas ainda há um apoio substancial ao grupo islâmico Hamas, que prega a resistência, segundo uma nova pesquisa de opinião. O instituto Charney Research ouviu 2.402 palestinos em junho e julho na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, por encomenda do Instituto Internacional da Paz, de Nova York.

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"O Fatah (que governa a Cisjordânia) é visto como o partido do governo e da paz, enquanto o Hamas (que controla a Faixa de Gaza) agora é visto apenas como o partido da resistência, embora isso também ressoe entre os palestinos," disse Craig Charney, diretor do instituto que leva seu nome.

O IPI disse que a pesquisa "revela grandes mudanças nas atitudes desde 2000, quando os palestinos rejeitaram os compromissos propostos na cúpula de Camp David com Israel, e desde as eleições de 2006, quando o Fatah foi derrotado pelo Hamas."

"Uma clara maioria dos palestinos - 55 por cento - favorece um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza (...), apenas 11 por cento favorecem qualquer das outras alternativas sob discussão, um Estado binacional com palestinos e israelenses ou uma confederação com os vizinhos Jordânia e Egito."

A pesquisa mostrou que 64 por cento apoiam uma solução com dois Estados (Israel e Palestina), conforme o "mapa da paz" proposto em 2003 pelo governo norte-americano, enquanto 17 por cento preferem o status quo.

"A pesquisa mostra que as visões palestinas mudaram consideravelmente desde 2000, quando as pesquisas após Camp David mostravam que a população também se opunha às propostas de paz que seus líderes haviam se recusado a aceitar," disse o Instituto Internacional da Paz.

"Agora, a opinião pública palestina passou da rejeição à aceitação do pacote geral e das determinações para a retirada israelense, a desmilitarização palestina e o reconhecimento mútuo."

"Os palestinos como povo estão preparados para ser um parceiro de Israel na paz," disse Terje Roed-Larsen, ex-coordenador especial da ONU para o Oriente Médio, e hoje presidente do Instituto Internacional da Paz.

Mas a pesquisa também revela uma ambiguidade palestina: o Fatah e seu líder, o presidente Mahmoud Abbas, ainda enfrenta um desafio considerável do Hamas, que se recusa a reconhecer o direito de Israel à existência e rejeita os apelos internacionais pelo fim da resistência armada.

Numa disputa eleitoral direta, Abbas teria 52 por cento dos votos e derrotaria o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, por uma "estreita margem," segundo a pesquisa.

As eleições palestinas estão previstas para o começo de 2010.

(Reportagem de Douglas Hamilton)

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