Palestinos protestam contra Obama após discurso na ONU

Fotos do líder americano são queimadas na Cisjordânia após ele rejeitar campanha por adesão palestina à ONU

iG São Paulo |

Palestinos protestaram nesta quinta-feira contra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, após um discurso no qual se declarou contrário ao pedido de reconhecimento do Estado palestino pela Organização das Nações Unidas (ONU).

AFP
Palestinos queimam cartaz com imagens de Obama em Ramallah, na Cisjordânia

O protesto aconteceu em Ramallah, capital política da Cisjordânia, em local próximo à Muqataa, sede da presidência da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Manifestantes exibiam faixas com frases como "Vergonha dos que se dizem democratas" e "América é a cabeça da serpente", enquanto outros queimavam imagens do presidente americano.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira, Obama afirmou que os palestinos merecem um Estado próprio, mas que " não há atalhos para a paz " no Oriente Médio e que esse Estado só poderá ser obtido por negociações com Israel.

Para o líder americano, "a paz não virá por meio de comunicados e resoluções da ONU", e sim por meio de diálogos - atualmente emperrados - sobre os temas que dividem palestinos e israelenses.

Após o discurso, o principal sindicato palestino convocou para sexta-feira manifestações em frente às embaixadas americanas em todo o mundo árabe. Um alto funcionário do ministério palestino da Informação, Mutawakil Taha, acusou Obama de atuar "como um colono israelense".

"Quarenta e dois vetos americanos na ONU permitiram a Israel continuar impondo o apartheid na região. O discurso de Obama desmascarou os Estados Unidos, que fingem apoiar as revoluções árabes", declarou à AFP.

Também na quarta-feira, Obama disse ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que vai vetar o pedido do reconhecimento do Estado palestino. Apesar disso, na conversa de 45 minutos entre os dois líderes, Abbas afirmou que vai seguir adiante com o pedido, segundo informações divulgadas pela Casa Branca.

O presidente Obama também teve um encontro com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Após a reunião, o premiê disse que Obama merecia uma "condecoração" por sua defesa de Israel.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou que um veto do pedido palestino pelos Estados Unidos pode gerar um novo ciclo de violência no Oriente Médio e propôs uma solução alternativa: dar à Autoridade Palestina o status de Estado observador, em vez de membro pleno.

Sarkozy também defendeu a criação de um cronograma claro para as negociações: um mês para o início do diálogo, seis meses para discutir fronteiras e segurança e um ano para finalizar um "acordo definitivo".

Com Reuters e BBC

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