As autoridades palestinas, que consideram inaceitáveis as condições impostas pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para a criação de um Estado palestino, fizeram um apelo à comunidade internacional para que pressione o governo israelense a mudar de ideia.

O presidente americano Barack Obama, no entanto, aplaudiu o discurso de Netanyahu como "um importante passo à frente", enquanto a presidência tcheca da União Europeia classificou a fala do primeiro-ministro como "um passo na boa direção".

"Elogiar a referência (de Netanyahu) a um Estado palestino não quer dizer que a administração americana e o mundo aceite o resto do que ele disse", afirmou Yasser Abed Rabbo, colaborador próximo do presidente palestino Mahmud Abbas, em uma entrevista à rádio oficial palestina.

"Ele falou em um Estado desmilitarizado, mas também o privou de todos os atributos da soberania, transformando-o em um protetorado formado por pedaços isolados", continuou.

"Netanyahu desafia o mundo. A comunidade internacional deve responder com pressões destinadas a isolar a política de Netanyahu e a obrigar Israel a se submeter ao processo de paz", concluiu Rabbo.

Submetido a fortes pressões internacionais, sobretudo por parte de Washington, Netanyahu aceitou em seu discurso, pronunciado no domingo, o princípio de um Estado palestino, mas impôs uma série de condições duras para garantir a segurança israelense.

O premiê exige, entre outras coisas, a desmilitarização do Estado e o reconhecimento, por parte da administração palestina, da existência de Israel como um Estado judeu.

Além disso, desconsiderou o fim da colonização israelense, a volta dos refugiados palestinos que foram embora após a criação de Israel, em 1948, e a retirada da parte árabe de Jerusalém.

"Após o discurso de Netanyahu, parece claro que estamos diante de um governo israelense que na verdade rejeita a solução dos dois Estados, o fim da colonização e a retomada das negociações a partir do ponto em que foram interrompidas", declarou à AFP o negociador palestino Saeb Erakat.

"A pergunta agora é a seguinte: o que farão os Estados Unidos e o Quarteto?", acrescentou, referindo-se ao grupo de mediadores internacionais (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU) que defendem uma resolução do conflito baseada na criação de um Estado palestino ao lado de Israel.

Segundo Erakat, a direção palestina entrou em contato "na própria noite de domingo" com a administração americana e com os países europeus e árabes "para explicar que Netanyahu não fez mais do que dizer cinco 'nãos'".

"Ele disse não a uma solução com dois Estados, não ao congelamento da colonização, não à visão do presidente Barack Obama para um novo Oriente Medio, não à retomada das negociações no ponto em que pararam e não à iniciativa de paz árabe", propondo uma normalização com Israel em troca da retirada dos territórios ocupados, indicou.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, considerou por sua vez que pedir aos palestinos que reconheçam o caráter judeu do Estado de Israel "arruina as possibilidades de paz".

ezz/ap

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