Palestinos não tiveram coragem de assinar acordo de paz, diz primeiro-ministro de Israel

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, acusou neste domingo os palestinos de não terem tido coragem suficiente para assinar um acordo de paz com seu governo, que segundo ele havia atingido um ponto muito avançado nas negociações.

AFP |

"Estávamos prontos para assinar um acordo de paz, mas os palestinos, infelizmente, não tiveram a coragem de assiná-lo", afirmou o primeiro-ministro em uma das últimas reuniões de seu governo.

"As negociações de paz com os palestinos tinham dado um grande salto. Elas estavam mais interessantes e avançadas que qualquer outra realizada por qualquer outro governo, e inclusive por Ehud Barak em Camp David", em julho de 2000, acrescentou.

O porta-voz do presidente Mahmud Abbas rejeitou estas críticas, consideradas infundadas. "O que Olmert disse é inteiramente falso. O que foi avançado não incluía as condições da criação de um Estado palestino independente, em todos os territórios palestinos ocupados desde 1967 e inclusive Jerusalém leste como capital", afirmou à AFP Nabil Abu Rudeina.

"Israel não apresentou nenhuma carta e nenhuma posição séria que pudesse conduzir a uma paz real com base em dois Estados", acrescentou.

Israelenses e palestinos lançaram em novembro de 2007 as negociações de paz em Annapolis (EUA), com o apadrinhamento do ex-presidente americano George W. Bush, que queria chegar a um acordo antes do fim de seu mandato.

Dezenas de sessões de negociações foram realizadas em Jerusalém sem nenhum resultado tangível, pois os dois campos se acusavam regularmente de estarem na origem do impasse.

O primeiro-ministro cumprimentou, no entanto, o trabalho de sua ministra dos Assuntos Estrangeiros, que dirigiu a equipe de negociadores israelenses, Tzipi Livni.

"Livni fez um grande trabalho, detalhado e complexo, que nunca havia sido feito antes", disse.

"Estou convencido de que qualquer futuro governo (israelense) não poderá realizar negociações sem as bases estabelecidas por Tzipi Livni", insistiu, dizendo que Israel deve "fazer concessões dolorosas para chegar a um acordo de paz".

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