Palestinos enterram vítimas de bombardeios israelenses em Gaza

Saud Abu Ramadã. Gaza, 28 dez (EFE).- Palestinos na Faixa de Gaza começam a enterrar as vítimas mortais dos recentes bombardeios israelenses, que podem ser apenas o início de uma operação militar ainda mais ampla.

EFE |

Mohamed al-Ashi estava em estado de choque enquanto policiais e parentes transportavam no sábado entre gritos de "Alá é grande" o corpo de seu irmão Faris, uma das vítimas mortais do bombardeio israelense em Gaza, que já deixou pelo menos 287 mortos e 900 feridos.

"Peço a Alá paciência e força. Que Alá abençoe o espírito do melhor homem da família", dizia Mohamed, com tristeza.

Faris, de 33 anos, trabalhava na divisão de explosivos do movimento islâmico Hamas. Seu caso reflete o drama vivido há mais de 24 horas em Gaza, onde as forças aéreas israelenses lançaram bombardeios pelo segundo dia consecutivo.

"Todos os hospitais da Faixa de Gaza estão em estado de emergência recebendo corpos de gente atingida pelos mísseis. Os hospitais não têm pessoal ou o equipamento necessário", explica o chefe do serviço médico de emergências em Gaza, Muawiya Hassanein, que afirmou que 120 feridos permanecem em estado grave.

O Governo do Hamas decretou três dias de luto pelo maior massacre israelense de palestinos desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967, que deixou um rastro de morte e destruição.

"O sangue e o cheiro de pólvora estão por todas as partes em Gaza", disse um policial encarregado de dirigir o tráfego nas proximidades do hospital Shifa, onde alguns pacientes são atendidos nos corredores por falta de macas.

Hassan Abu Tuha, um morador de Gaza, também não "tinha visto nada parecido" em seus 22 anos de vida.

"As palavras massacre ou Holocausto" são insuficientes "para descrever a situação", diz, enquanto observa o movimento das ambulâncias nas proximidades do hospital Shifa.

Mas não foi só a população de Gaza que expressou perplexidade pela desproporcionalidade do ataque israelense. Hoje, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que estava no Egito para tratar da situação, qualificou de "massacre" os ataques de Israel e disse que se tratava de uma "grave catástrofe".

Abbas afirmou que manteve contatos "diretos e indiretos" com o Hamas para evitar que terminasse a trégua em Gaza que estava em vigor desde junho e que foi encerrada no dia 19 de dezembro, e para evitar "a agressão israelense".

"O que importa agora é deter o derramamento de sangue em Gaza", insistiu Abbas em entrevista coletiva com o ministro de Relações Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, que acusou o Hamas de impedir a transferência de feridos pelos bombardeios israelenses ao Egito.

Apesar dos pedidos de trégua, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, advertiu hoje de que a ofensiva "pode prolongar-se durante muito tempo" e que Israel atuará com "sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados".

Olmert pediu a seus ministros que "forneçam serviços básicos aos moradores do sul de Israel", alvo dos foguetes palestinos.

O Exército desdobrou em torno de Gaza centenas de soldados perante uma eventual invasão terrestre, pois Israel "aprofundará e ampliará sua operação o quanto for necessário", disse hoje o ministro da Defesa, Ehud Barak.

O braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzedin al-Qassam, reivindicou o lançamento de foguetes disparados pelas milícias palestinas, incluído o que matou, neste sábado, uma israelense em Netivot.

Segundo fontes médicas palestinas, o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas, tanto pela continuação dos ataques quanto pelo estado grave de alguns dos feridos.

O Conselho de Segurança da ONU pediu unanimemente a "cessação imediata" da violência na região e que se permita a provisão de ajuda humanitária a Gaza. EFE sar-int/ab/db

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