Por Nidal al-Mughrabi GAZA (Reuters) - O movimento islâmico Hamas anunciou na segunda-feira que vai ignorar qualquer decisão da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) sobre a liderança futura e as conversações de paz com Israel.

"O Hamas não recuará da Jihad e da resistência até que alcance a liberdade e a independência para nosso povo", disse o primeiro-ministro da Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh. "Nós não reconheceremos Israel e não abandonaremos a resistência".

Em discurso salientando a divisão nas fileiras palestinas entre o seu movimento e o grupo secular Fatah, o líder do Hamas afirmou que qualquer decisão tomada pela reunião do Conselho Central da OLP seria inconstitucional.

"Dizemos aos membros do Conselho Central da OLP que vão se reunir amanhã em Ramallah que qualquer decisão que contradiga a Constituição e contradiga a vontade do povo não será obrigatória", disse ele a dezenas de milhares de simpatizantes.

O Hamas governa a Faixa de Gaza, que foi palco de uma ofensiva militar israelense há um ano. Israel retirou-se de Gaza em 2005 e, após expulsar o movimento Fatah em 2007, o Hamas tomou o poder na região.

O Fatah disse em um comunicado que o discurso de Haniyeh mostrava que o Hamas queria aprofundar a divisão palestina. O Hamas teria fechado as portas para os esforços de reconciliação do Egito, acrescentou o documento.

Enquanto os simpatizantes comemoravam o aniversário da fundação do Hamas 22 anos atrás, Haniyeh prometeu não se afastar do objetivo de "uma Palestina indo do mar até o rio (Jordão)".

O Hamas não reconhece o direito de Israel de existir e se opõe à estratégia do Fatah, defendida pelo presidente Mahmoud Abbas, de tentar negociar um acordo de paz permanente com os israelenses.

Haniyeh disse que a ofensiva israelense, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, lançada com o objetivo declarado de pôr fim aos disparos de foguetes contra Israel executados pelo Hamas e outros grupos armados de Gaza, não conseguiu destruir o grupo militante.

"Os que planejaram a guerra e a executaram não esperavam essa multidão hoje aqui, agitando as bandeiras... O Hamas não sofreu um colapso depois da guerra, os líderes inimigos sim", disse ele.

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