Palestinos dizem ter votos suficientes no Conselho de Segurança

Chanceler afirma que nove dos 15 votos serão garantidos; EUA reiteram que usarão poder de veto contra pedido de adesão à ONU

iG São Paulo |

O ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, expressou confiança nesta terça-feira de que sua delegação vai angariar o mínimo de nove votos necessários para obter o apoio do Conselho de Segurança da ONU a um Estado palestino.

As resoluções do Conselho de Segurança precisam de nove votos no organismo formado por 15 nações para serem aprovadas, mas os Estados Unidos - um dos cinco membros permanentes com direito a veto - já disseram que vetarão a medida , o que impediria a sua aprovação. O Brasil ocupa atualmente uma das vagas rotativas do Conselho de Segurança da ONU.

AP
O presidente francês, Nicolas Sarkozy (esquerda), se encontrou com o presidente palestino Mahmud Abbas no hotel Millenium, em Nova York

Autoridades israelenses que se opõem à candidatura disseram que os palestinos terão dificuldades para garantir o número mínimo necessário.

"Estamos trabalhando para isso (garantir os nove votos) e acho que conseguiremos", disse o chanceler palestino a jornalistas depois de se reunir com o ministro das Relações Exteriores venezuelano.

Malki não considera a posição dos EUA imutável. "Esperamos que os Estados Unidos revisem sua posição e fiquem do lado da maioria das nações ou países que querem o apoio ao direito palestino de obter autodeterminação e independência", afirmou Malki.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pretende apresentar na sexta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma inscrição para que o Estado palestino se torne um membro pleno da ONU, apesar da recente pressão que admitiu estar sofrendo.

Também nesta terça, a Casa Branca anunciou que o presidente Barack Obama se encontrará na quarta Abbas, paralelamente à Assembleia Geral da ONU em Nova York. A reunião será às 18h locais (19h de Brasília), informou o conselheiro de segurança nacional americano, Ben Rhodes.

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em uma reunião com membros do partido Likud, realizada antes que o líder deixe Jerusalém, que falará "a verdade" em Nova York - "a verdade de um povo que quer a paz, uma nação que sempre foi e continua sendo atacada por aqueles que não se opõem à nossa política, mas sim, a nossa existência."

Ele afirmou que alertaria os líderes mundiais contra o estabelecimento de um Estado palestino prematuramente, enquanto diversos problemas no conflito ainda necessitam de uma resolução.

A última rodada de negociações diretas entre Israel e os palestinos fracassou há um ano depois que Israel se recusou a renovar uma moratória a novos assentamentos em áreas desejadas pelos palestinos para um futuro Estado.

Dos membros do Conselho de Segurança, espera-se que os Estados Unidos vote contra a causa palestina, enquanto a China, Rússia, Índia, Líbano, África do Sul e Brasil devem aprovar a medida. Ainda permanecem obscuras as posições da Alemanha, França, Reino Unido, Bósnia, Colômbia, Gabão, Nigéria e Portugal.

A equipe diplomática americana está trabalhando muito para trazer mais aliados à sua causa, uma vez que ficará em uma situação desconfortável se for o único país a vetar a proposta palestina.

A aparente dificuldade em se encontrar a paz no Oriente Médio se tornou até motivo de embate entre os partidos americanos, visando às eleições presidenciais no próximo ano. O governador do Texas, Ricky Perry, o principal republicano na corrida, criticou o presidente durante um ato de campanha realizado em Nova York. "Nós não estaríamos aqui hoje, à beira do precípicio, se a política de Obama no Oriente Médio não fosse tão ingênua e arrogante, equivocada e perigosa", afirmou em referência à insistência de Obama, no início de sua presidência, para que Israel parasse a construção de assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios que formariam o núcleo de uma Palestina independente.

Abbas

Nesta terça, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, encontrou o presidente francês Nicolas Sarkozy e o secretário britânico Willian Hague.

Oficiais palestinos afirmaram que Sarkozy aconselhou Abbas a recorrer à Assembleia Geral, em vez do Conselho de Segurança, para apresentar seu pedido de adesão.

Uma outra alternativa possível para Abbas seria recorrer à Assembleia Geral para buscar reconhecimento, porém, se dois terços dos países membros aprovassem a resolução - o que seria bem provável que acontecesse -, a Palestina seria considerada apenas um "país observador", assim como é o Vaticano.

Mas Mohammed Ishtayeh, um assessor de Abbas, disse que o presidente do Líbano, Michel Suleiman, cujo país ocupa a presidência do Conselho nesse mês, pediu ao líder palestino que prossiga com o pedido de adesão à ONU.

Ishtayeh afirmou que as conversas com Sarkozy e Hague "foram basicamente sobre o que pode ser feito para evitar que Abbas vá ao Conselho de Segurança", acrescentando que "alguns ainda acreditam que um outro caminho possa ser encontrado."

O chanceler francês, Alain Juppe, que também está em Nova York, afirmou à rádio Europe-1 que seu país continuará trabalhando para retomar as conversas de paz no Oriente Médio antes da votação na ONU. "O status quo é insustentável", Juppe disse. "O único jeito de resolver o problema israelense-palestino é com negociações diretas."

Abbas também encontrou o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby. "Eu acredito que em primeiro lugar, os palestinos têm direito a serem considerados como um Estado", disse Elarab.

Protestos

Enquanto as discussões em Nova York seguem, colonos judeus protestaram na Cisjordânia contra os planos palestinos de solicitar adesão plena, e houve confrontos em ao menos uma aldeia, num sinal das tensões que permeiam o território.

Reuters
Judeus protestam em Itamar contra intenção palestina em buscar reconhecimento na ONU

Colonos do assentamento de Yitzhar atiraram pedras conta os palestinos da cidade de Nablus, e soldados responderam atirando gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, segundo uma porta-voz. Os palestinos disseram que um jovem ficou ferido por um cilindro de gás.

Quase 200 colonos, muitos deles agitando bandeiras de Israel, fizeram uma passeata do enclave de Itamar até uma rotatória de trânsito perto de um posto de controle numa estrada que liga as cidades palestinas de Ramallah e Nablus, onde dançaram e cantaram músicas em hebraico.

"Estamos apenas mostrando a eles que este é o nosso lar. Somos os verdadeiros donos da terra de Israel", disse Moshe Goldsmith, prefeito de Itamar.

"Quanto ao que se diz na ONU sobre dar nossa terra e tentar formar um Estado no coração da nação judaica, estamos demonstrando que estamos marchando livremente no coração da nação judaica. Na nossa nação, nossa terra", acrescentou Goldsmith.

Israel capturou a Cisjordânia numa guerra em 1967, e nacionalistas israelenses consideram o território, onde os palestinos querem estabelecer seu Estado, como o seu berço bíblico. Cerca de 500 mil colonos judeus vivem em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, em meio a cerca de 2,5 milhões de palestinos.

Um porta-voz da Autoridade Palestina, entidade que os palestinos esperam que consiga o reconhecimento da ONU para formação de um Estado, disse que os protestos desta terça-feira são um exemplo dos "ataques e intimidações regulares e contínuos" dos colonos.

Com AP, AFP e Reuters

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