Palestinos dizem que Páscoa na Terra Santa não é mais o que era

Por Tom Perry JERUSALÉM, 1o de abril, 10h30 (Reuters) - Quando era menino e vivia em Jerusalém, Yacoub Dahdal via cristãos vindos de toda parte do Oriente Médio convergirem sobre a cidade na Semana Santa, para percorrerem os passos de Jesus.

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Milhares deles se hospedavam nas casas de moradores da cidade. Muitos partiam tendo se tornado padrinhos de recém-nascidos em Jerusalém, batizados durante a Semana Santa.

"Era uma festa religiosa em todos os sentidos do termo", disse Dahdal, 72 anos, que é membro sênior da comunidade cristã palestina de Jerusalém. "Os egípcios vinham de trem; os libaneses e sírios, de ônibus."

"Imagine que quando você estava na Cidade Velha, ouvia todos os tipos de sotaques diferentes misturados --libaneses, jordanianos, egípcios, sírios. Era uma verdadeira alegria."

Hoje, reflete Dahdal, o ambiente na cidade na Páscoa é muito diferente. A tensão é mais aparente que a espiritualidade.

A casa em que Dahdal nasceu, no bairro muçulmano da Cidade Velha, a pouca distância a pé da Primeira Estação da Cruz, hoje é adornada com bandeiras israelenses e habitada por colonos judeus que se mudaram para lá depois de Israel ter capturado Jerusalém oriental, na guerra de 1967.

Desde aquele conflito, o fluxo de peregrinos vindos de países árabes vizinhos secou. Síria e Líbano continuam em estado de guerra com Israel. Poucos egípcios ou jordanianos viajam a Jerusalém, apesar de seus governos estarem em paz com o Estado judaico.

Peregrinos cristãos ainda vão passar a Páscoa em Jerusalém, vindos da Alemanha, Peru ou Rússia, como turistas em uma visita feita uma vez na vida e para os quais as restrições impostas por Israel passam em grande medida despercebidas, excetuando o fato evidente de que a polícia parece estar presente em cada esquina.

Mas o número de peregrinos palestinos caiu para uma fração do nível anterior. Os cristãos locais avisam que tradições seculares correm o risco de desaparecer.

Eles dizem que as medidas de segurança israelenses obstruíram seu acesso a Jerusalém e seus lugares sagrados, dos quais o mais importante é a Igreja do Santo Sepulcro, reverenciado como o lugar da crucifixão e ressurreição de Jesus.

Um porta-voz da polícia israelense disse que milhares de peregrinos vêm à cidade todos os anos sem problemas. "Este ano é aguardado um número ainda maior. Ao mesmo tempo, a polícia israelense realiza os procedimentos normais de segurança que sempre são adotados nesta época do ano."

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch)

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