Palestinos condenam planos de novas construções de Israel em Jerusalém

Ramala, 24 mar (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) condenou hoje a aprovação de um plano para construir uma colônia judia de vinte moradias em Jerusalém Oriental e acusou Israel de deixar os palestinos sem terras para estabelecer seu futuro Estado.

EFE |

"Esta ação é uma nova forma do comportamento racista que as autoridades israelenses exercem sobre as pessoas de Jerusalém Oriental", disse Ahmed Rawidi, responsável da ANP em Jerusalém, em declarações à rádio "A voz da Palestina".

Rawidi denunciou que a ampliação de assentamentos em território palestino ocupado gera uma "situação insuportável" para a ANP, e terá "consequências graves em qualquer futuro acordo com Israel".

"Como Jerusalém pode ser objeto de negociação quando os fatos no terreno mostram que não ficará terra alguma para os palestinos quando for haver negociação?", se perguntou o dirigente.

A edificação foi aprovada ontem pela Prefeitura de Jerusalém, horas antes da reunião em Washington entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O projeto, aprovado em julho passado entre protestos da Casa Branca, está patrocinado por Irving Moskowitz, um milionário americano judeu que promove ativamente a colonização do setor leste da cidade.

Serão cerca de vinte apartamentos para famílias israelenses que serão edificados no local onde fica um hotel, comprado por Moskowitz, que será derrubado.

A iniciativa recebeu seu último empurrão nesta semana, quando os investidores pagaram as despesas necessárias.

Ontem, em discurso perante o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (Aipac), o principal lobby judeu nos EUA, Netanyahu ressaltou que seu país seguirá construindo no leste da cidade, embora desrespeite o direito internacional, porque "Jerusalém não é um assentamento".

A construção em Jerusalém Oriental (ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967) está excluída da moratória parcial de construção nas colônias durante dez meses anunciada em novembro por Netanyahu para encorajar, sem sucesso, os palestinos a voltarem à mesa de negociações.

O diálogo entre ambos ficou interrompido há mais de um ano pela ofensiva israelense em Gaza, que causou a morte de aproximadamente 1.400 palestinos, em sua maioria civis.

Israel considera Jerusalém sua capital "única e indivisível", enquanto a comunidade internacional considera ilegais todos os assentamentos judaicos na parte oriental da cidade, onde os palestinos desejam estabelecer a capital de seu futuro Estado. EFE nm-ap/fm

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