Telões foram instalados em Ramallah, na Cisjordânia, enquanto autoridades de Israel decretaram estado de alerta

Palestinos aguardam com expectativa nesta sexta-feira o discurso do presidente Mahmoud Abbas na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no qual deverá pedir o reconhecimento do Estado palestino .

Telões foram colocados no centro de Ramallah, na Cisjordânia, para que o público possa assistir o discurso ao vivo, que deve começar às 18h30 no horário local (12h30 de Brasília). Uma hora depois, será a vez do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se dirigir à Assembleia.

Palestinos preparam local no centro de Ramallah onde população assistirá ao discurso de Abbas na ONU
AP
Palestinos preparam local no centro de Ramallah onde população assistirá ao discurso de Abbas na ONU

Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.

No centro de Ramallah, uma cadeira gigante foi montada para simbolizar assento pedido por Abbas na ONU, para que o Estado palestino se torne o membro número 194 da organização internacional.

A campanha "Palestina 194" foi iniciada há vários meses e deverá atingir seu auge nesta sexta-feira, com o discurso do presidente palestino. Após sua fala, Abbas deve entregar a carta de reivindicação para ingresso na ONU ao secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, que deverá revisá-la para assegurar que está de acordo com o artigo quatro da Carta de Nações, e então remetê-la ao Conselho de Segurança.

Para ingresso na ONU, é preciso obter no principal órgão de decisões da organização multilateral uma maioria de nove votos e nenhum veto dos cinco países com esse direito (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China). No entanto, o presidente americano, Barack Obama, já anunciou que vetará o pedido palestino .

A Autoridade Palestina espera a participação de centenas de milhares de pessoas em manifestações de apoio a Abbas, nas principais cidades da Cisjordânia, durante o discurso.

Para muitos palestinos esta sexta feira é um dia histórico, pois 44 anos após a guerra de 1967 e 63 anos após a fundação do Estado de Israel, um presidente palestino se dirigirá aos 193 países membros da ONU e pedirá o reconhecimento da Palestina.

De acordo com a pesquisa de opinião realizada pelo instituto Halil Shkaki, 83% dos palestinos apoiam o pedido de reconhecimento na ONU.

Israel

As autoridades israelenses decretaram estado de alerta no país inteiro e nos territórios ocupados, principalmente na área de Jerusalém e nos pontos de checagem militares nas passagens entre Israel e a Cisjordânia.

O Exército israelense se prepara para manifestações de palestinos junto aos pontos de checagem e providenciou diversos tipos de armamentos não letais para dispersar os manifestantes. No arsenal estão novas invenções da indústria bélica israelense denominadas "gambá" e "o grito".

O "gambá" consiste em uma substância quimica com forte cheiro de cadáveres em estado adiantado de putrefação. A substância é misturada com água e lançada contra manifestantes por meio de canhões d'água. A pele e as roupas das pessoas atingidas ficam impregnadas com o cheiro, que demora vários dias para se dissipar.

Outra nova arma não letal é "o grito" - um aparelho que emite ondas sonoras que produzem sons insuportáveis para os ouvidos humanos e faz com que as pessoas queiram se distanciar rapidamente da fonte do barulho.

O "grito" já foi utilizado contra manifestantes na última quarta feira, quando jovens palestinos protestaram junto ao ponto de checagem de Kalandia, na entrada de Ramallah. De acordo com porta-vozes militares o armamento "produziu bons resultados", pois os manifestantes se dispersaram rapidamente.

Além das novas armas, o Exército israelense também costuma utilizar meios "mais tradicionais" para dispersar manifestações, como balas de metal revestidas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

O governo de Israel autorizou a entrega de grandes quantidades desses armamentos para a polícia palestina. De acordo com o jornal Haaretz, a polícia da Autoridade Palestina teria se comprometido a impedir que os manifestantes entrem em atrito com tropas ou colonos israelenses.

Com BBC

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