Países vizinhos do Zimbábue pedem adiamento de eleição

Por MacDonald Dzirutwe HARARE (Reuters) - Países vizinhos do Zimbábue pediram o adiamento do segundo turno da eleição presidencial, marcado para esta sexta-feira, dizendo que a reeleição do presidente Robert Mugabe pode não ter legitimidade por causa do atual clima de violência no país.

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O apelo feito por uma cúpula de três nações do sul da África foi a maior pressão até agora sobre Mugabe, que tem rejeitado uma enxurrada de condenações da comunidade internacional da violência que vem causando vítimas desde a realização do primeiro turno das eleições, em 29 de março.

A África do Sul, potência regional, se uniu à pressão, informando que um alto negociador do país está em Harare mediando conversações sobre as opções para resolver a crise, incluindo o adiamento da votação.

Mas a Comissão Eleitoral do Zimbábue considerou que a retirada da candidatura pelo líder da oposição, Morgan Tsvangirai, no domingo, não tem força legal e por isso a eleição será mantida.

Tsvangirai se retirou da disputa por causa da violência, que já causou a morte de quase 90 de seus partidários. Ele disse que a votação é um logro e pediu que a União Africana, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), liderem um governo de transição no Zimbábue.

Uma reunião de emergência da Comunidade de Desenvolvimento do Sul-Africano, na capital da Suazilândia, Mbabane, concluiu: 'É da opinião da cúpula da organização que a realização da eleição nas circunstâncias atuais pode minar a credibilidade e a legitimidade do resultado.'

O documento diz que a cúpula recebeu informações do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que a Comunidade designou na terça-feira como seu mediador no Zimbábue.

Mbeki foi criticado anteriormente por ter assumido uma posição muito branda e ineficaz em relação a Mugabe. Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu a indicação de um novo mediador.

Os países participantes da reunião -- a Tanzânia, que preside atualmente a União Africana, Suazilândia e Angola -- fizeram um chamado por negociações entre o governo e a oposição antes da fixação de uma nova data para o segundo turno.

Nesta quarta-feira a Grã-Bretanha retirou de Mugabe o título honorário de cavaleiro britânico, concedido em 1994, quando o presidente do Zimbábue ainda era considerado um modelo de líder africano pela ex-potência colonial. O Ministério de Relações Exteriores informou que o país tomou essa medida em razão da repulsa pelas violações dos direitos humanos no Zimbábue.

(Reportagem adicional de Paul Simão em Mbabane, Cris Chinaka em Harare, Marius Bosch, Gordon Bell, Michael Georgy e Muchena Zigomo em Johanesburgo, Duncan Miriri em Nairóbi, Katherine Baldwin em Londres)

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