SÃO PAULO ¿ Países de todo o mundo tomam medidas de urgência para minimizar a escassez do Molibdênio, matéria-prima do Tecnécio, substância radioativa utilizada em exames de câncer e doenças cardíacas. Como informou o Último Segundo na quinta-feira, http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/07/30/200+mil+pacientes+ficam+sem+atendimento+no+brasil+por+falta+de+substancia+radioativa+7572989.htmlmais de 200 mil pessoas já ficaram sem atendimento nos últimos dois meses no Brasil. Veja abaixo o que alguns países estão fazendo para contornar a crise mundial de abastecimento.

Com o fechamento em maio do reator nuclear canadense responsável pelo fornecimento de 100% da substância comprada pelo Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) passou a importar da Argentina um terço da demanda nacional.

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Argentina: exportação do Tecnécio
Argentina aumenta exportação
A Cnen e o Ministério da Saúde se reunirão na manhã da próxima quarta-feira para definir critérios médicos e sociais de distribuição dos radiofármacos trazidos da Argentina. Enquanto não há definição, o Ministério da Saúde informou que acompanha o caso junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia e que a Secretaria de Atenção a Saúde já determinou a realização de estudos que possibilitem a tomada de providências para evitar prejuízos ao Sistema Único de Saúde e principalmente aos usuários. Paralelamente, a Cnen desenvolve um projeto de um novo reator de pesquisa que, em cerca de seis anos, tornaria o Brasil independente de importações.

Nos Estados Unidos, o tecnécio é usado em mais de 40 mil procedimentos médicos por dia. A Sociedade de Medicina Nuclear (SMN) dos EUA e oito organizações protocolaram um documento direcionado ao Congresso americano exigindo medidas urgentes sobre a crise. As entidades pedem garantias do governo de que o atendimento à população não será ainda mais prejudicado pela falta da substância. As informações são do jornal Medical News Today. O presidente da SMN e professor de Medicina da Universidade de Iowa, Michael Graham, alertou para o risco que os pacientes estão correndo. O médico afirmou ao jornal que mortes são improváveis, mas não podem ser descartadas. É possível que algumas mortes ocorram, pressiona.

A coalizão liderada pela SMN conta, ainda, com a Associação Americana de Físicos na Medicina, a Universidade Americana de Radiologia, a Sociedade Americana Nuclear, a Sociedade Americana de Cardiologia Nuclear, a Sociedade Americana de Oncologia Radioativa, o Conselho de Radiofármacos e Radionúcleo, a Sociedade de Saúde Física e o Instituto de Energia Nuclear.


 Reator nuclear canadense foi fechado em 14 de maio / NYT

No Canadá, o Ministério da Saúde já aprovou novas fontes de importação da substância. O governo autorizou a importação o Molibdênio da África do Sul e da Austrália. Esta é uma ótima notícia para os pacientes de câncer do Canadá e para empresas de saúde, afirmou na ocasião o ministro da Saúde do Canadá, Leona Aglukkaq.

A empresa sul-africana Pelindaba, que fornece o Molibdênio para o Canadá, comprometeu-se a produzir 24 horas, sete dias por semana, de acordo com declarações do gerente Roland van Gogh, da subsidiária da Corporação de Energia Nuclear da África do Sul, ao jornal South África Business News.

Na Inglaterra, o apelo por ajuda do governo foi feito pelo presidente da Sociedade Britânica de Medicina Nuclear e o professor da Universidade de Nottingham, Alan Perkins. O especialista pede que o governo faça um investimento substancial na produção dessas substâncias para o fornecimento a "centenas de hospitais" no país. Perkins afirmou à BBC que o Reino Unido precisa planejar o futuro para garantir o abastecimento da substância essencial para o diagnóstico de milhares de pacientes britânicos.

No Japão, a Associação de Radioisótopos alertou formalmente a Comissão de Energia Atômica do Japão sobre a crise. Segundo boletim do Fórum de Indústria Atômica do Japão, os vizinhos asiáticos já responderam ao pedido japonês de aumento da produção. A Coreia irá construir um novo reator para produção do Molibdênio; a China já produz a substância em dois reatores. A Associação afirma, ainda, que propôs ao governo japonês que o país passe a produzir internamente ao menos 20% da demanda nacional.

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