Países têm que coordenar expansão fiscal, defende FMI

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, defendeu no final do encontro do G20 em São Paulo a adoção de políticas fiscais expansionistas para combater a atual crise global e a coordenação desses esforços em âmbito global. Kahn deu como exemplo positivo o pacote anunciado neste domingo pelo governo chinês, que anunciou medidas da ordem de US$ 600 bilhões para estimular sua economia.

BBC Brasil |

"Estou bastante satisfeito com a decisão tomada pelos chineses", afirmou ele, para quem a coordenação de ações desse tipo "são mais eficientes do que ações isoladas".

Apesar de elogiar a China, o diretor do FMI não quis comentar a ação de outros países individualmente e afirmou que preferia não falar sobre o Brasil. "Não vou falar sobre o país."
Kahn reconheceu que países estão vivendo situações econômicas diferentes e têm preocupações distintas. Questionado sobre o temor do governo brasileiro em relação à inflação e ao déficit público, ele afirmou que, especialmente na América do Sul, a inflação ainda é um perigo. "Eu diria que a inflação não pode ser ignorada" , disse ele, mas completou que no cenário global "no momento a recessão econômica é uma preocupação maior."
O diretor-gerente disse que chama de "coordenação" a troca de informações entre as nações, mas que isso não significa que os países têm que fazer as mesmas coisas ao mesmo tempo. "Coordenar é uma coisa, tomar a mesma ação é outra."
Em uma coletiva de imprensa separada, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o Brasil já tem tomado medidas fiscais para ajudar a economia, como a decisão de adiar o recolhimento de alguns impostos para ampliar o capital de giro das empresas.

"Mas o Brasil ainda não sentiu o impacto da crise na desaceleração da economia", completou o ministro para justificar porque o país não formulou pacotes de estímulo econômico como os vistos na China, na Coréia do Sul ou na Europa.

Liquidez
Durante sua entrevista, Strauss-Kahn disse que além da expansão econômica é preciso dar mais liquidez ao mercado financeiro internacional, ampliar o apoio ao próprio Fundo e trabalhar na implementação e no aperfeiçoamento de novas estruturas e regras internacionais para evitar crises tão amplas como a atual.

Ele disse que apóia o fortalecimento do G20 e a demanda de maior representatividade internacional dos países emergentes, e diz não acreditar que o grupo substitua ou ameace a posição do Fundo.

"O G20 representa uma grande parcela do PIB mundial, mas ele representa 20 países e o FMI representa 185. O FMI é um fórum mais amplo em que muitos países podem ser ouvidos."
Dentro do próprio FMI ele afirmou que a demanda por maior representação também tem ocorrido e tem sido considerada em diferentes momentos. Para ele, a influência de um país no fundo não se dá apensas de forma proporcional à cota que mantém na instituição. "Existe também uma influência exercida nas reuniões, com propostas."
As discussões realizadas em São Paulo neste fim de semana devem ser aprofundadas na semana que vem em um novo encontro do G20 em Washington, no qual participam os chefes de Estados dos países membros.

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