Países sul-americanos e árabes buscam reforçar laços durante cúpula

Enrique Rubio. Doha, 30 mar (EFE).- Altos representantes dos Governos de países árabes e sul-americanos - entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - se reúnem amanhã em Doha para continuar os esforços iniciados em 2005 para unir duas regiões que, apesar de suas semelhanças, até pouco tempo atrás mal se comunicavam.

EFE |

Pelo menos nove dos 12 chefes de Estado dos países sul-americanos devem comparecer à reunião, batizada de Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA).

Segundo fontes da organização, apenas o equatoriano Rafael Correa, o colombiano Álvaro Uribe e o uruguaio Tabaré Vázquez estarão ausentes da cúpula, a segunda do gênero depois da ocorrida em Brasília há quatro anos.

Entretanto, a presença em Doha do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ainda é uma incógnita, já que ele ainda não chegou à capital do Catar apesar de ter confirmado presença na ASPA.

Entre os assuntos prioritários na agenda da reunião estão uma resposta coordenada à crise financeira e o aumento das trocas comerciais.

O comércio entre as duas regiões teve notável crescimento desde a reunião de Brasília. Há cinco anos, esta cifra era de US$ 11 bilhões; no ano passado, foi de US$ 25 bilhões.

No entanto, como explicou uma fonte diplomática brasileira à Agência Efe, quase 80% destas trocas comerciais tiveram apenas o Brasil como destinatário, em transações que somaram cerca de US$ 20 bilhões.

Os países presentes também discutirão o acordo de livre-comércio negociado pelo Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) com o Conselho de Cooperação do Golfo (Kuwait, Arábia Saudita, Barein, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos).

A expectativa é de que novos avanços nas negociações sejam anunciados, mas não o fechamento do acordo.

A reunião, que terá começo às 15h locais de amanhã (9h de Brasília), será precedida por várias reuniões bilaterais dos líderes sul-americanos com seus colegas árabes.

Em declarações à imprensa, o ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, explicou que o documento final da cúpula incluirá uma menção à reivindicação de seu país da soberania sobre as ilhas Malvinas.

Além disso, o argentino insistiu em que a cooperação sul-sul sempre foi "um eixo" do Governo de seu país, motivo pelo qual espera que a cúpula de amanhã sirva para "consolidar um rumo claro de avanços nas relações entre as duas regiões".

O titular da diplomacia argentina acrescentou que esta cooperação contribuiu para que "os laços econômicos, políticos e culturais" tenham se aprofundado nos últimos anos.

Nos quatro anos que transcorreram desde a cúpula de Brasília, foram realizadas nove reuniões ministeriais e houve a inauguração da chamada Biblioteca ASPA.

Quanto à polêmica em torno da presença em Doha do presidente sudanês, Omar al-Bashir, o qual recebeu uma ordem de detenção do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, fontes sul-americanas declararam que as chances de haver um comunicado sobre este assunto são baixas.

Um assessor da Presidência brasileira declarou à Efe que todos os países sul-americanos, exceto o Chile, são signatários do TPI, motivo pelo qual não vão pôr em dúvida sua jurisdição sobre este assunto.

Após a Cúpula ASPA, os representantes de Brasil, Argentina e Arábia Saudita seguirão para Londres, onde participarão da reunião do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) para discutir a crise econômica internacional. EFE er/bba

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