Países saúdam EUA por operação que matou Bin Laden

Para líderes, morte de número 1 da Al-Qaeda foi passo decisivo contra o terrorismo e alívio para o mundo

iG São Paulo |

A grande maioria dos países expressou nesta segunda-feira satisfação com a morte de Osama Bin Laden, ocorrida durante uma operação americana no Paquistão.

Depois de o presidente americano, Barack Obama, dizer que "a justiça foi feita", ao anunciar a morte do "terrorista responsável pelo assassinato de milhares de inocentes", seu antecessor, George W. Bush afirmou que trata-se de "uma vitória para os Estados Unidos, para os povos ávidos pela paz e para todos aqueles que perderam seus entes queridos em 11 de setembro de 2011".

Assim como Obama, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também disse que "justiça foi feita" e, em pronunciamento, prestou homenagem às famílias às famílias de pessoas que foram mortas pela "campanha de terror de Osama Bin Laden", como os bombardeios das embaixadas americanas na África e os ataques de 11 de setembro de 2001.

"Não foram ataques só contra americanos, embora tenhamos sofrido grandes perdas. Foram ataques contra o mundo inteiro. Em Londres, Madrid, Bali, Istambul e muitos outros lugares, pessoas inocentes, a maioria muçulmanos, foram alvejados", disse Hillary. "Sei que nada pode suprir a falta dessas pessoas, mas espero que haja conforto no fato de que a justiça foi feita", disse a secretária de Estado.

Ela disse ainda que o esforço e a cooperação com outros países para o combate às atividades "terroristas" deverá continuar. "A cooperação contínua será tão importante quanto antes, nos dias que virão. Porque mesmo ao passar por este marco, não devemos nos esquecer de que a batalha para parar a Al Qaeda e seu sindicato do terror não terminará com a morte de Bin Laden."

O Conselho de Segurança da ONU saudou a morte de Bin Laden, chamando-a de "desenvolvimento crítico" na luta contra o terrorismo.

nullNo Brasil, o chanceler Antonio Patriota disse temer que a morte de Bin Laden desencadeie outros atentados. Além disso, Patriota disse que a figura de Bin Laden “contribuía direta e indiretamente para que se estigmatizasse o mundo islâmico, onde as alternativas seriam a autocracia e o fundamentalismo”. “E nós sabemos que não é esse o caso”, disse o chanceler. “À medida que a Al-Qaeda e Osama Bin Laden estiveram e ainda estão por trás de estratégias políticas que privilegiam atos terroristas, nós só podemos nos solidarizar com as vítimas e com aqueles que buscam a justiça”, disse o ministro.

Os governos de Chile e Colômbia (que têm uma boa relação com os Estados Unidos) elogiaram o ocorrido, enquanto a Venezuela, com o qual os americanos mantêm uma relação tensa, criticou as comemorações que se seguiram.

O vice-presidente do país, Elias Jaua, disse que ficava surpreso com o fato de o mundo aceitar com "naturalidade" a morte de "inimigos políticos de certas nações", em referencia à Bin Laden e aos Estados Unidos. "Não deixa de surpreender como o crime e o assassinato passaram a ser naturais e comemorados pelos governos imperiais. A morte de qualquer indivíduo independentemente do que lhe acusem é motivo de celebração. As mortes são abertamente celebradas pelos que bombardeiam", disse Jaua.

A morte de Bin Laden foi motivo de satisfação para a Espanha, que sofreu um duro ataque da Al-Qaeda em 2004, em atentados que deixaram 191 mortos e mais de 2 mil feridos em Madri. O governo espanhol considera que sua morte constituiu um "passo decisivo" na luta contra o terrorismo.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, qualificou a operação como uma "grande vitória" contra o terrorismo. Embora o Paquistão seja um país aliado aos Estados Unidos, suspeita-se que membros de seu serviço de inteligência protejam a Al-Qaeda.

O presidente afegão, Hamid Karzai, acredita que Bin Laden "pagou pelos seus atos" e que o fato de que estava no Paquistão demonstra, segundo ele, que a fonte do terrorismo não era procedente do Afeganistão.

Itália

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi,definiu a morte de Bin Laden como um "grande resultado na luta contra o mal e o terrorismo". "A morte é sempre morte, mas pensando no que Bin Laden significou com o massacre de 2001, acho que é algo que todos olharão com esperança e pelo qual vão ficar satisfeitos. Todo mundo esperava esta notícia há dez anos", acrescentou.

Na Grã-Bretanha, o premiê David Cameron afirmou que a notícia da morte de Bin Laden é um "grande alívio para as pessoas do mundo todo". "A notícia da morte de Osaba Bin Laden é um grande alívio para os povos do mundo. Osama Bin Laden era responsável pelas piores atrocidades terroristas no mundo: o 11 de setembro e tantos outros atentados que custaram milhares de vida, incluindo inúmeros britânicos", declarou Cameron, em comunicado de sua assessoria.

A França elogiou a tenacidade dos Estados Unidos depois da morte de Bin Laden. Em comunicado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, classificou a notícia de "marco na luta mundial contra o terrorismo. Já o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, afirmou que a morte de Bin Laden é "uma vitória de todas as democracias que lutam contra esse flagelo abominável que é o terrorismo".

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou a notícia "uma vitória das forças de paz". A União Europeia estimou que a a morte de Bin Laden tornará o "mundo mais seguro".

A Rússia saudou este "importante êxito dos Estados Unidos", assim como o fez a Turquia, país laico de maioria muçulmana.

Para o Vaticano, Bin Laden teve uma "gravíssima responsabilidade" na difusão "da divisão e do ódio entre os povos".

Israel, um dos mais fiéis aliados dos Estados Unidos, aplaudiu o que chamou de "vitória da justiça, da liberdade e dos valores comuns dos países democráticos de combaterem juntos o terrorismo", mas advertiu que redes vinculadas à Al-Qaeda unirão "um máximo de esforços para tentarem cometer um enorme atentado".

Já o chefe de governo do movimento extremista palestino Hamas, instalado na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, condenou "o assassinato de qualquer mujahedin (combatente islâmico) e de qualquer outro indivíduo, muçulmano ou árabe", e pediu a Deus "que lhe conceda a sua misericórdia".

O Iraque, por sua vez, afirmou estar "muito feliz" e o Iêmen espera que a morte do líder da Al-Qaeda seja "o começo do fim do terrorismo".

O Irã considera que a morte de Bin Laden tira dos Estados Unidos e seus aliados "qualquer desculpa para manter suas forças de segurança no Oriente Médio com o pretexto de lutar contra o terrorismo".

No Quênia, cenário em 1998 de um sangrento atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, o governo também declarou que justiça foi feita.

Outros países, como Índia, Australia, Nova Zelândia, Japão e Canadá, felicitaram os Estados Unidos pela morte do fundador e líder da Al-Qaeda.

A Interpol, organização policial de cooperação internacional, advertiu nesta segunda-feira para a possibilidade de "uma ameaça terrorista maior", após a morte de Bin Laden. O mesmo advertiu a CIA , agência de inteligência americana.

*Com AFP

    Leia tudo sobre: osama bin ladeneuaterrorismoafeganistãopaquistão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG