Países ricos não pagaram US$ 35 bi em ajuda ao desenvolvimento, diz ONU

A Organização das Nações Unidas informou nesta quarta-feira que os países ricos não pagaram US$ 35 bilhões destinados à ajuda oficial ao desenvolvimento.

EFE |


O dado faz parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira, segundo o qual grande parte do aumento nesse tipo de ajuda ocorrido nos últimos anos teve como destino um pequeno número de países em conflito, como Iraque e Afeganistão, em detrimento das nações mais pobres da África, por exemplo.

Apesar de o valor da ajuda ao desenvolvimento ter crescido 10% em 2008, chegando a US$ 119,8 bilhões, a ONU destaca que essa cifra é menor do que os US$ 155 bilhões anuais prometidos pelo Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e mais a Rússia) na cúpula de Gleneagles (Reino Unido) de 2005.

A ONU também mostra que dificilmente será cumprido o compromisso de destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) aos países mais pobres para 2015, já que a média atual continua estagnada em 0,3%.

O estudo foi elaborado por um grupo de trabalho formado por várias agências das Nações Unidas, além do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM).

Seus autores temem que a diferença entre a ajuda entregue e a prometida crescerá este ano por causa da crise financeira global, o que reduz as possibilidades de alcançar os Objetivos do Milênio em 2015.

"Neste ambiente turbulento, os governos se veem tentados a se concentrar em suas preocupações nacionais. Isso seria um grave erro, já que os recentes fatos demonstraram que estamos interligados", disse a vice-secretária-geral da ONU, Asha-Rose Migiro, na apresentação do relatório.

Os responsáveis das Nações Unidas estão particularmente preocupados com o nível da ajuda prometida aos países da África Subsaariana.

Em 2005, os países mais ricos se comprometeram a aumentar a ajuda anual à região em US$ 25 bilhões, mas o crescimento foi de apenas US$ 7,6 bilhões ao ano, segundo o relatório.

O documento também ressalta a necessidade de concluir as negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciada em 2001 para aumentar a liberalização do mercado internacional, principalmente em benefício dos países em desenvolvimento, e que está estagnada.

O texto lembra que 20% das exportações dos países menos desenvolvidos não possuem um acesso livre de tarifas aos mercados dos países mais industrializados.

Os especialistas das Nações Unidas também advertem que o aumento dos preços dos remédios os afasta cada vez mais das mãos dos mais pobres.

Segundo o estudo, os consumidores nos países em desenvolvimento pagam um preço entre três e seis vezes mais alto do que o de referência internacional pelos medicamentos genéricos mais baratos.

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