Países ricos discutem ajuda ao desenvolvimento em tempos de crise

Paris, 28 mai (EFE).- A associação de países desenvolvidos que fazem parte do Grupo Piloto sobre contribuições de solidariedade para o desenvolvimento se reúnem desde hoje em Paris com a intenção de abordar o futuro da ajuda internacional em um entorno de crise.

EFE |

O Grupo Piloto é um organismo que reúne um total de 55 países e várias organizações internacionais e não-governamentais cujo objetivo é debater e atuar na criação de mecanismos inovadores de financiamento da ajuda ao desenvolvimento.

O organismo foi fundado depois da Conferência Ministerial sobre Mecanismos Inovadores de Financiamento do Desenvolvimento, que ocorreu em 2006, por meio de uma declaração conjunta entre o então chefe de Estado francês, Jacques Chirac, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os representantes dos 55 países que fazem parte desta iniciativa foram à capital da França - nação que ocupa a Presidência do grupo, atualmente - para analisar as consequências da crise econômica e financeira sobre a ajuda ao desenvolvimento.

Os participantes analisam os métodos inovadores de financiamento da "solidariedade a favor do desenvolvimento", em um encontro que foi aberto hoje pelo ministro de Assuntos Exteriores francês e que será encerrado na sexta-feira pela diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan.

Participam da reunião em Paris representantes das Nações Unidas, do Banco Mundial (BM), do Center for Global Development e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja sede francesa foi cedida para a conferência.

Entre os presentes na reunião estava o ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que reiterou o apelo para que os países desenvolvidos se comprometam obrigatoriamente a aumentar até 0,7% a ajuda oficial ao desenvolvimento.

"Mantemos nosso compromisso de alcançar 0,7% em 2012 e, principalmente, vou fazer um apelo, como já fiz em Doha, para que esse 0,7% não seja um número de referência, e sim um compromisso obrigatório dos principais países desenvolvidos", anunciou o ministro.

O chanceler espanhol ressaltou que, se há alguns anos "isto era um símbolo ao qual cada país podia recorrer", o Governo da Espanha pretende "que todos os países da OCDE, por exemplo, se comprometam a alcançar em 2015, antes precisamente de que se fixem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a 0,7% como elemento obrigatório".

Moratinos lembrou que a Presidência espanhola da União Europeia (UE), no primeiro semestre de 2010, manterá o compromisso de que "os 27 países-membros alcancem 0,56% (de percentual da riqueza dedicada à ajuda oficial ao desenvolvimento) já em 2010".

"E esperamos que, em 2015 (...), todos os países da OCDE, todos os países desenvolvidos, tenham a obrigação de contribuir com 0,7%", afirmou.

"A presença da Espanha nesta conferência é para discutir e apoiar novos instrumentos para o financiamento da cooperação ao desenvolvimento em um momento de crise econômica e financeira internacional", ressaltou.

O ministro destacou que este aspecto "tem uma enorme importância por dois motivos principais: por demonstrar que os países, e sobretudo seus líderes, têm esse compromisso na luta contra a fome e a pobreza e não barganham".

"Portanto, se reúnem para redobrar os esforços para obter mais recursos e novos mecanismos de arrecadação desses recursos em uma situação de crise internacional", acrescentou.

"E, em segundo lugar, que estamos trabalhando para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015", disse Moratinos.

"Já existe um plano de ação depois da conferência de Doha, e há, portanto, uma mobilização dos principais doadores com os países receptores para que se avance e possamos chegar no final do ano com um plano de atuação", explicou.

Atualmente, o Grupo Piloto propiciou o lançamento de três iniciativas principais: a central de compra de remédios Unitaid, o mecanismo de pré-financiamento em grande escala IFFIm, e os compromissos comerciais por antecipação para a vacina do pneumococo.

EFE jam/db

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